sexta-feira, 20 de julho de 2007

BADSLOV - O Terrível (Capítulo VIII)

Capitulo VIII – A Ira de Badslov

Ao acordar aquela manhã, Badslov não sabia o que lhe aguardava. Logo ao levantar notou algo diferente no ar. Haviam sumido as teias de aranha, o limo, o tapete negro e as estatuetas diabólicas. O tapete que era negro, agora estava branco, os criados estavam com vestes de verão azuis, ao invés dos ternos pretos e estavam regando lindos narcisos ao invés de ajoelhados. Mas o maior choque foi ver Satã com uma ofuscante fita rosada no pescoço e, além disso, o sol estava invadindo o ambiente.
O sangue lhe fervia, a respiração estava agitada, os olhos vermelhos e a pele alternavam constantemente de cor. Então ouve-se o som de correntes sendo arrastadas. Badslov abre a sua capa, ergue a espada e dá um grito que pode ser ouvido a quilômetros de distância:
- Alguém! Alguém pagará por isto! Alguém!
Dando vinte chicotadas em cada criado, até mesmo Jaives que vestia uma extravagante bermuda samba-canção. Em seguida incinerou todas as roupas vestidas pelos criados, espalhando uma nuvem negra por todo o semi-deserto condado.
Borislov que pretendia ajudar acabou por piorar a situação. Badslov após se livrar das roupas, chama o irmão par a uma violenta conversa.
- Quem lhe deu permissão de modificar o meu castelo?
Borislov irritado responde:
-Seu castelo? Nosso castelo!
Badslov então diz:
-Não interessa! Eu o criei e você tinha que ter me consultado antes de transformar o meu adorado estilo neoclássico em um carnaval!
Borislov sentindo-se mal diz:
- Perdoe-me, eu errei!
Neste momento uma luz invade o saguão do castelo, mas Badslov quebra a luz dizendo:
- Só idiotas erram!
Borislov pergunta:
-Você nunca errou?
Badslov com sadismo responde:
-Uma vez. A flecha que matou mamãe era para ter pego no peito e não no pescoço!
Borislov decepcionado diz chorando:
-Como podes ser tão inescrupuloso, irmão?
Badslov rindo diz:
-Faço o possível.
No auge da conversa Badslov muda o tom da voz, simula um soluço e com um ar sínico diz:
- Perdoe-me, meu irmão, eu quero ser bom, ajude-me!
Esperançoso Borislov abre os braços a Badslov que “sem querer” lhe dá uma unhada dizendo:
- Desculpe, mas a força do hábito é forte.
No pensamento de Badslov só havia ódio do irmão e imaginava um meio de se vingar!
Desta forma, Badslov começa a tentar matar o seu santo irmão. Um dia ele pôs arsênico no leite de Borislov, mas por engano, um pobre criado chamado Afrenildo bebe o leite e morre em segundos. Sem desistir, Badslov continua tentando, porém alguma coisa sempre acabava salvando o pobre monge.
Certo dia, com péssimas intenções, Badslov chama Borislov para uma partida de xadrez. O seu plano já estava arquitetado na maléfica mente. Durante o jogo Badslov pede:
- Irmão! Por gentileza, busque-me, lá na adega, o mais amargo vinho!
Borislov gentilmente prontifica-se a buscar o vinho perguntando:
- Mas onde está este azedo vinho?
Badslov responde:
-Se você ficar sobre este tapete, o verá!
Naquele momento, Badslov aciona um alçapão que estava sob o tapete. Ao passar por perto, Jaives vê o que está por acontecer e atira-se sobre Borislov, porém o pobre mordomo cai no profundo buraco que obviamente deveria possuir lanças no seu final. Jaives sumira e foi dado como morto!
Badslov irado diz:
- Que sorte tem esse padreco!
Um tempo se passou e Borislov ficou encarregado de procurar um novo mordomo para o castelo. Ninguém queria saber desse cargo, mas estranhamente, um dia, surge no castelo um senhor com fisionomia bondosa. Ele estava procurando emprego, e Borislov o contratou mesmo tendo achado estranho alguém se oferecer dessa forma para servir Badslov que ao conhecê-lo disse:
- Está preparado para me servir, medíocre escravo?
Apavorado Dygs, era o seu nome, responde:
- Farei o possível meu senhor!
Badslov num gesto de maldade ergue a espada e diz:
- Ninguém deve me desobedecer, ouviu! Ninguém!
E ordenou ao criado:
- Beije meus pés, humilde servo, senão te matarei!
Dygs com muito medo obedece ao patrão que se retira imaginando desde já como irá matar o novo mordomo. Dygs com muita raiva sussurra:
- Eu irei acabar com esse tirano! Eu juro!
Dygs na realidade era um primo de Jaives, após ser informado da suspeita morte de seu parente ficou muito desconfiado e resolveu investigar o castelo já que conhecia a fama terrível de Badslov e para isto decidiu trabalhar para eles e desvendar todos os segredos da família Godsly.
Em uma tempestuosa noite de verão, Badslov, como de costume, ordena ao seu cão que dê uma mordida na perna de Borislov que ingenuamente sobre passa mão na cabeça do monstruoso animal. Logo depois Badslov põe na vitrola sua adorada marcha fúnebre que soou por todo o faraônico castelo. Depois de escutar a harmoniosa musica cemiterial, decide realizar mais uma de suas brincadeiras, desta vez com Dygs.
Badslov preparou um dispositivo semelhante ao que matou seu pai, mas ao invés de uma clava, utilizou um rígido candelabro. Dygs dormia calmamente, sem perceber que ali estava Badslov.
Badslov não conseguiu pregar os olhos naquela noite, pois grande era a sua curiosidade em saber se o seu diabólico plano havia funcionado.
Ao acordar, Dygs recebeu uma forte rajada na cabeça e Badslov teve a prova que queria ao receber seu café da manhã, o pobre mordomo estava com um enorme galo em alto relevo e Badslov, realizado, ria sem parar diante daquela cena.

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