quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Badslov - O Retorno (Capitulo I)

Capítulo I – O Retorno

A noite estava tempestuosa, raios e relâmpagos cruzavam os céus daquela região. Vinte e cinco anos tinham se passado e nunca mais alguém tinha presenciado uma noite tão terrível.
Ouviam-se gemidos que ecoavam pelas colinas, o cheiro de enxofre podia ser sentido há quilômetros dali.
Borislov estava no seu castelo observando o condado que o cercava, foi quando uma imagem franzina e já cansada de tantas batalhas surgiu pelo saguão, era Jaives o seu fiel mordomo.
- Senhor... Posso perguntar-lhe uma coisa meu bom mestre?
- Sim meu velho serviçal, pergunte-me e te responderei! Falou Borislov já se recostando na sua velha cadeira feita do mais nobre carvalho.
- Temo que algo terrível esteja para acontecer Senhor! Meu santíssimo mestre não tem a mesma impressão? Perguntou Jaives já imaginando a resposta do bondoso conde.
- Meu caro e velho amigo... Seja aquilo que for, nada sobrepujará a força do Senhor nosso Deus!
E naquele momento, como de costume, podem-se ouvir cantos angelicais ao fundo. Porém um trovão cortou aquele momento sagrado e estremeceu as paredes do castelo.
A chuva finalmente começou a cair, na verdade ela desabou e muitas pedras rolaram as montanhas soterrando algumas casas do condado. Foi neste momento que, em uma velha árvore amaldiçoada, um raio caiu com a força das trevas.
E naquele terrível instante um clarão iluminou todo o vale, praticamente todas as plantas da região secaram e até mesmo as belas petúnias de Borislov murcharam.
A terra pútrida e estéril que rodeava o velho cedro começou a se mover, e pouco a pouco uma forma começou a sair das entranhas daquele lugar, mãos e pernas tomaram forma e o tórax há muito tempo sem vida foi aos poucos sendo recoberto pelos tecidos e músculos novamente. O sangue amaldiçoado voltava a percorrer as artérias e veias secas, os olhos tomados por uma fúria indescritível estavam recompostos. Aos poucos o tronco estava se erguendo e ao ficar totalmente de pé a figura das trevas soltou um urro que estremeceu toda a região.
Alguns minutos se passaram e uma sensação estranha tomou conta do velho conde Borislov, foi quando Jaives entrou correndo na grande sala comunal dizendo:
- Senhor! Senhor! Alguma coisa se aproxima do castelo e está vindo pela floresta!
Borislov fitou-o por alguns instantes e disse:
- Bom amigo! Peço que me deixe agora, pois sinto que um milagre de Deus se fez e preciso concetrar-me!
Jaives, desconfiado que o seu mestre estivesse muito enganado, tratou de pegar sua velha espada e foi ao encontro das sombras na entrada do castelo!
Um gemido agonizante pode ser ouvido e enquanto Borislov rezava no saguão, uma sombra se ergueu na penumbra do castelo. O impossível acontecera, e Borislov não pôde acreditar naquela imagem que surgia na sua frente!
- Oh bom Deus... Um milagre! Assim como vosso filho, meu amado irmão voltou para o nosso mundo! Obrigado Senhor!
Badslov estava na frente do grande Hall, e ao sair das sombras com o olhar tão maligno quanto aquele que lançara ao deixar nosso mundo, arremessou aos pés do bondoso conde um objeto que este não conseguiu definir claramente.
Borislov então aguardou que suas pupilas embaçadas pelas lágrimas se ajustassem e não pode acreditar naquilo, totalmente ensopada de sangue, estava ali jogada sobre a tapeçaria Inca, a cabeça inerte do pobre Jaives!
- Oh meu Deus, voltastes com o mesmo propósito de antes! O teu mal não cessou enquanto descansavas?
Badslov ergueu a cabeça até então abaixada, estalou o pescoço em um brusco movimento e fitou seu nobre e apavorado irmão.
Sua boca estava seca, mas uma frase ecoou pelo castelo:
- Eu retornei... E Ninguém, repito ninguém me deterá desta vez...

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