Capítulo II – A ProfeciaO velho castelo da família Godsly já havia presenciado diversas situações extremas. Há séculos ele abrigara a família tradicional da Escandinávia através de suas paredes de pedra. O grande saguão comunal, onde diversas festas e importantes cerimônias haviam sido realizadas era desenhado em uma simetria perfeita. Lustres nababescos e cortinas da mais pura seda oriental ornamentavam aquele lugar.
O mesmo lugar há alguns anos atrás estava totalmente tocado pelo mal e presenciava as terríveis diabruras de Badslov. Borislov, o bom conde tinha levado anos tentando trazer àquele castelo a mesma beleza de outrora, porém naquele maldito instante tudo parecia em vão! Estendido sobre a nobre tapeçaria estava uma cabeça humana, de um lado da sala um homem temente a Deus estava sustentando-se apenas pela sua fé, do outro lado a face obscura da morte representada naquele corpo maligno estava pronta para fazer mais uma vítima.
O sangue do pobre mordomo que bravamente expulsara Badslov do nosso mundo a um quarto de século atrás já coagulava em sua cabeça inerte e diante deste terrível cenário, Badslov disse:
- Eu retornei meu afeminado irmão! E estou pronto para conquistar tudo àquilo que a mim pertence!
Borislov angustiado tenta dissuadi-lo:
- Irmão! Se for vingança que queres, tome o meu corpo e faça o que tu quiseres, mas poupe as pobres vidas dos aldeões!
Naquele breve instante uma brisa morna tomou conta do ambiente como se fosse um sopro de vida, mas como um vento gélido que sopra do Norte, Badslov a cortou dizendo:
- Tolo! Pensas que está em condições de negociar? Arrancar-te-ei a cabeça e o povo terá tudo o que merece e nada mais!
Um estranho ruído de chocalhos pode ser ouvido juntamente com correntes que pareciam estar sendo arrastadas pelos corredores!
Borislov sentindo que o fim tinha chegado ajoelhou-se diante do irmão e com toda a sua fé proferiu:
- Meu bom Deus! Que este momento de passagem seja pleno e que as vidas aqui na tua terra sejam poupadas!
Diante daquela concentração Badslov deteve-se por um momento e percebeu que uma imensa luz emanava do irmão! Aquela claridade o impedia de mover-se e parecia que Borislov balbuciava algumas palavras em um antigo dialeto há muito esquecido! Badslov pensou então:
- Mas com quem o miserável está falando? Não vejo mais ninguém aqui! E que dialeto é este, parece.... Não, não pode ser! É a língua dos anjos! Devo acabar com ele agora!
E rapidamente partiu em direção ao nobre conde com toda a sua fúria satânica! A cada passo que dava mais forte se sentia e quando finalmente estava bem próximo do irmão, pôde perceber um sorriso em seus lábios. Borislov disse então:
- Venha meu irmão! Faça aquilo que tens vontade de fazer! Mas devo avisar-te que daqui a 50 anos nascerá um jovem que livrará nosso mundo do teu mal! Assim revelou-me o meu bom Deus!
Badslov irado com a frase do irmão para diante deste e diz:
- Estúpido, ainda crês em seu Deus? Não percebes que ele te deixará! E, além disso, tu sabes que Ninguém! Repito ninguém poderá deter-me agora que retornei ao mundo!
Badslov continua então dizendo:
- E grande diferença que pode fazer uma reencarnação tua! No máximo tentarás me deter com uma tulipa ou uma rosa! Não seja tolo, patético irmão!
Borislov com o semblante sereno diz:
- O que tu não sabes é que este jovem será a reencarnação de Jaives e será um nobre guerreiro com habilidade suficiente para vencer-te!
Badslov enfurecido com aquelas palavras atravessa o pobre corpo de seu irmão! A espada maldita transpassou Borislov bem no peito na altura do coração. Raios e relâmpagos cruzaram os céus. A Terra começou a tremer perto do Castelo. O bom conde sentia uma dor lancinante tomar conta de si, os olhos foram tomados de uma sensação de cansaço e a mente estava aos poucos se desligando do mundo material. Pouco antes do seu último suspiro, disse ao irmão:
- Badslov, meu querido! Eu te perdôo!
Indignado com tamanha bondade, Badslov saca sua espada do peito do irmão e em um brusco movimento arranca-lhe a cabeça!
A escuridão tomou conta do recinto, um buraco negro surgiu nos céus e bolas de fogo foram jogadas sobre algumas casas do condado. Vozes balbuciando frases demoníacas em algum dialeto antigo foram ressoadas pelo castelo.
Badslov diante daquele término abriu sua capa e disse:
- Que as trevas perdurem para sempre! E nada me impedirá, nem mesmo este que está para nascer terá ao menos uma oportunidade!
Começava então o segundo reinado de Badslov, o terrível!
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