quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Badslov - O Retorno (Capitulo IX)


Capítulo IX – Confusões na Taberna

Do alto da torre negra do castelo, podiam-se ouvir as gargalhadas. Badslov, como de costume, estava maltratando o seu serviçal chamado Alexus. O pobre homem já não tinha mais a idade e o vigor físico de outrora e a cada sessão de maldades de Badslov, mais dolorosa tornava-se a sua vida.
Alexus estava curvado segurando em suas mãos as “malditas taças de vinho”, como costumava pensar, e á sua frente Badslov tinha espalhado cuidadosamente centenas de minúsculos cacos de vidro. O mordomo tinha que atravessar com os pés descalços e então ajoelhar-se diante do seu mestre sobre grãos de milho para servir-lhe o café. A dor percorria seu corpo, mas Alexus sabia que se fraquejasse o castigo seria pior. E para deleite do seu tirano mestre, o sangue começava a marcar o nababesco chão do castelo, sendo este mais um motivo para castigar o seu escravo e deitar-se mais uma vez com a certeza que tinha causado muito sofrimento.
Em outro ponto do castelo, Richard Scottuns escutava as loucas atrocidades do mestre em silêncio. Em seus pensamentos estavam as contingências diárias de um general da horda das hordas. Não era fácil administrar tamanho poderio militar, não por sua eficácia ou complexidade, mas justamente pelos problemas advindos da total imbecilidade e ignorância daqueles que o serviam, os terríveis mamelucos do inferno. Além disso, entre suas tarefas para os próximos dias estava a tentativa frustrada de domesticar uma nova linhagem de Cachorrossauros que tinha nascido, lamentavelmente mais um grande contingente de mamelucos seria desperdiçado nessa tarefa, já que desde filhotes, as terríveis bestas tinham o instintivo desejo por sangue humano.
- Um investimento necessário! - Conformou-se Scottuns antes de apagar as velas que iluminavam o seu pútrido quarto tomado por musgos e liquens.
Já era noite quando Capella chegou ao vilarejo vizinho, ele já estava cansado, mas algo lhe dizia que não estava na hora de procurar um pouso para aquela noite tão estrelada. Sendo assim, amarrou o seu animal em uma arvore e saiu a caminhar pela cidade.
Era um lugar simples, mas de alguma forma parecia que a felicidade ainda reinava naquela cidade, foi quando avistou uma luz dentro de uma construção, em seguida percebeu uma música que tocava e quanto mais se aproximava mais vozes podiam ser ouvidas. Ao parar diante do estabelecimento pode ler em uma placa: “Taberna Dos Amigos”. Pensou por um momento que estava cansado, mas decidiu entrar assim mesmo, talvez um pouco de distração pudesse lhe aliviar mais do que algumas horas de sono.
O lugar estava cheio, era uma típica Taberna espanhola, homens bebendo e falando alto, outros simplesmente estavam sentados em algum canto escuro procurando não serem importunados. Nosso herói aproximou-se do bar e próximo a outras pessoas se dirigiu ao Taberneiro:
- Senhor! Podes me servir com a mais gélida cevada que tiveres?
O taberneiro com cara de poucos amigos resmungou alguma coisa qualquer e foi providenciar o pedido do guerreiro. Enquanto isso Capella procurou observar as pessoas ao seu redor. De repente um homem com aparência violenta se aproximou do Bar e parou ao lado de Capella. Ele estava visivelmente transtornado e dirigiu-se para outro rapaz que bebia sossegado uma dose de Tequila.
- Pedro! Sabes como me chamo?
O jovem com a voz trêmula olhou o homem e respondeu:
- Sim senhor! Chamas-te Ramirez!
Naquele mesmo instante o homem sacou sua espada e com um bruto movimento arrancou a cabeça do pobre homem que desabou sobre uma mesa onde se jogava carteado. Todos se agitaram no recinto e uma mulher no fundo do salão gritou:
- Porque mataste Pedro?
Eis que o brutamonte respondeu:
- Pedro sabia demais!
E quando se virou para pedir uma bebida, um dos homens que jogava carta se aproximou dizendo:
- Esta porcaria te pertence seu infame!
Batendo no rosto de Ramirez com a cabeça sem vida de Pedro segurando-a só pelos cabelos e manchando de sangue todo o balcão. Ramirez revidou com um soco e ambos começaram uma briga sem precedentes dentro da Taberna. Capella que até então observava tudo se preparou para sacar a Katana quando de repente os dois brigões foram surpreendidos por dois grandes braços que os arremessaram contra as paredes onde caíram desmaiados.
Em seguida, a mesma voz feminina interveio:
- Porque fizeste isso?
E a figura enorme que tinha emergido de um canto do salão respondeu:
- Porque dessa forma eles param de se machucar!
E seguiu novamente para uma mesa onde outro homem o esperava tranquilamente recostado com sua cadeira na parede.
Desta forma o ambiente normalizou-se, algumas moças começaram a lavar as manchas de sangue e o corpo do pobre Pedro fora arrastado para fora. Capella intrigado com o que tinha presenciado aproximou-se novamente do Taberneiro e perguntou:
- Amigo! Responda-me quem são aqueles dois lá no canto?
O Taberneiro, mais disposto a conversar devido à agitação que se sucedera responde:
- São dois viajantes muito conhecidos nesta região! O Ogro que interferiu na briga chama-se Dan, ele é muito forte quando precisa, mas na maioria das vezes é um homem dócil e gentil.
Capella mais interessado pergunta: - E o outro quem é?
- Aquele é o Sr. Frodo Del Mederos, conhecido também como “El Conquistador”!
- Conquistador das Terras? – Pergunta Capella já decepcionado.
- Não! Ele era conhecido como “El Conquistador de las Mujeres”, mas pelo que soube está mais sossegado desde que tivera um sonho com uma bela donzela. Ele garante ser o amor de sua vida e que ainda irá conhecê-la!
- Mas o que eles procuram afinal? – perguntou Capella
- Eles buscam a diversão! Viajam de um lado para o outro e nunca conheci dois amigos como estes, sem falar na lealdade daquele Ogro para com o seu amigo que costuma até chamar de irmão! Vê se podes conceber tamanho absurdo! Um Ogro chamando um humano de irmão!
Capella fez questão de não comentar mais nada com o Taberneiro, até porque aquele homem não lhe parecia muito confiável, então agradeceu as informações e jogou um pouco de dinheiro sobre o balcão. Em seguida pensou:
- Só pode ser brincadeira do destino! Acho que não ter dormido foi a melhor coisa que podia ter feito!
E seguiu então na direção da mesa dos amigos que agora estavam conversando animadamente...

2 comentários:

Alexandre Dias & Paula Brombatti disse...

Protesto!

Poh!

o Alexus só se rala! Algo tem que dar certo pra esse pobre mordomo!


(Tomara que ele desperte o setimo sentido e acabe com todos os Cachorrosauros!!)
Grande Abraço!

Fabio Capella disse...

Bah meu caro Alexandre (Alexus) sinto em lhe informar, mas antes que tudo melhore, certamente vai piorar MUIIITOOOO a vida do pobre mordomo. E te digo mais, muitas vezes só melhora com o descanso eterno! hehehehe