
Capítulo X – O Infortúnio do Ogro
Capella estava se aproximando da mesa no canto quando o Ogro percebeu sua presença. De forma instantânea se levantou e fitou o guerreiro com uma carranca assustadora. Enquanto isso o seu amigo Frodo olhou para Capella e disse:
- Te aproximas para o bem ou para o mal?
- Para o bem meu nobre amigo! – Levantando as mãos e demonstrando que não queria confusão.
O Ogro então cruza os braços e diz:
- O Sr. Frodo está sendo perturbado? Se estiver Dan pode esmagar esse cidadão de baixa estatura!
Frodo percebendo a intenção de Capella olha para o seu fiel companheiro e diz:
- Calma grandalhão! Este homem só deseja boa companhia para uma conversa, não é isso Senhor... Como é mesmo o seu nome?
- Desculpe-me, não me apresentei! Chamo-me de Capella e gostaria de sentar-me para conversarmos!
O Ogro ainda estava desconfiado, e olhou para Capella firmemente nos olhos e proferiu:
- Está certo então! Sentarás-te comigo e com o Sr. Frodo, mas se incomodares o Sr. Frodo eu te esmago, seu nanico!
Capella já ia puxar uma cadeira, quando o Ogro lhe alcançou uma, ele já estava sorrindo e quando Capella foi sentar-se Dan deu-lhe um forte “tapinha” nas costas e disse:
- Gostei de ti! Amigo novo pra conversar, o Sr. Frodo ta um pouco silencioso essa noite!
- Fico assim toda vez que penso naquela que visita os meus sonhos! Isso já te expliquei Dan!
- Besteira! Depois que esse bobalhão sonhou com uma qualquer ficou assim abobalhado! Nós temos que pegar todas as mulheres da Espanha, como fazíamos antes! Agora vem com essa historinha de donzela imaginaria cujo nariz lembra o seu próprio! Arggg – Bufou o Ogro puxando a grande caneca de Cevada e deixando boa parte escorrer-lhe pelos cantos da boca.
Capella não se conteve e deu uma risada, os amigos estavam ali discutindo assuntos bem pessoais na sua frente e mal o conheciam. Eram realmente engraçados aqueles dois e sentiu uma vontade tremenda de ficar ali falando assuntos triviais e contando suas aventuras. Resolveu então que no momento apropriado falaria da sua missão e durante algumas horas eles conversaram amigavelmente.
Após muita cerveja e boas gargalhadas, Capella perguntou:
- Vocês se conheceram como?
- Somos irmãos! – Disse Dan colocando sua dantesca mão sobre o ombro do Sr. Frodo que sorriu para o amigo.
- Mas como assim irmãos! – Capella perguntou
- Na verdade, meu bom amigo! Fomos criados como irmãos! Minha família adotou Dan quando este ainda era pequeno e desde então não mais nos separamos!
- É o Senhor Frodo e eu somos como irmãos, entendeu?
- Compreendi perfeitamente! Mas o que aconteceu com a sua família?
Silencio se fez então! Silencio que por horas não tinha aparecido. O Ogro depois de alguns instantes levantou-se e disse:
- Vocês dois estão muito parados! Vou lá fora pegar um ar e depois volto para agarrar alguma vagabunda! Essa noite todas serão minhas! Hehehe
Dan saiu desajeitado e disfarçando a tristeza que o havia abatido, ao passar pela porta ainda deu uma forte esbarrada em alguns sujeitos que estavam por ali, estes se viraram para tirar satisfação, mas em seguida desculparam-se ao se depararem com a grande figura do Ogro.
Capella ficou chateado com o ocorrido e falou:
- Lamento Frodo, não quis tocar em um assunto delicado!
Frodo resignado diz:
- Não foi culpa tua! Ele sempre fica assim quando se lembra do que aquele maldito fez!
- Que maldito? – Perguntou Capella.
- Badslov – O Terrível é claro! - Respondeu Frodo
- Eu deveria ter desconfiado! Mas o que ocorreu?
- Dan era muito pequeno e toda sua família de Ogros foi brutalmente assassinada pelos soldados de Badslov. Ele e seu irmão mais novo foram deixados feridos para morrerem quando a minha família os encontrou. Dan quase morreu e infelizmente o seu irmão já estava sem vida!
- Então sua família salvou Dan e o criaram como filho! Percebo que a nobreza vai muito além do berço real meu caro amigo! Acho que é o momento apropriado para contar-lhe a minha história. – Disse Capella.
Naquele momento um vento gélido soprou pela janela, e algumas das velas sobre as mesas apagaram-se. Quando Capella iria iniciar a sua história, percebeu a entrada de dez homens apressados pelo salão. Um deles caminhava com certa dificuldade devido à dor que sentia, o seu cotovelo estava enrolado em alguns panos que já transpassavam o sangue ainda recente.
- Então meu caro! O que tu ias dizer-me? – Pergunta Frodo já percebendo claramente que Capella estava desconfortável.
O Guerreiro da Justiça já deduzindo que teria problemas procurou recostar-se e ocultar a face novamente com o capuz. Ele olhou o Sr. Frodo e disse:
- Frodo, não devo falar-te nada agora, mas podemos conversar em outro lugar?
Quando o Sr. Frodo foi responder já era tarde, os homens já tinham conversado com o Taberneiro e este já tinha apontado a mesa do canto onde os dois amigos se encontravam.
- Acho que o amigo tem visitas, e pela cara desses sujeitos que estão olhando para cá não gostam muito de ti! – Replicou Frodo percebendo que a confusão estava armada.
- Desculpe-me te envolver nisso, meu caro amigo. Mas aconselho-te a deixar o recinto, creio que algumas cabeças vão rolar!
- Me digas uma coisa, cometeste algum crime para que esses soldados queiram te pegar?
- Esses mamelucos que estão vindo para cá, são capangas de Badslov! Aconselho-te a deixar que eu resolva sozinho para que não te condenem também!
- E perder a diversão? De forma alguma, ainda mais com esses sujeitos. Está na hora de aprenderem alguma lição!
- Está certo então. – Disse Capella enquanto os soldados já estavam ao lado da mesa
O mais alto deles tinha uma aparência horrível, sua boca era retorcida e diversas cicatrizes lhe marcavam o rosto. Ele aproximou-se e disse:
- Você aí! Pagarás por ter atacado meu tenente! Sabes que em nome de Badslov e de Richard Scottuns tu serás punido!
Frodo começou a sorrir em voz alta. Capella não entendeu muito bem, mas começou a gargalhar também enquanto os soldados de Badslov estavam intrigados observando aqueles dois homens rindo tão próximos da morte.
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