terça-feira, 4 de setembro de 2007

Badslov - O Retorno (Capitulo VI)

Capítulo VI – A Fuga

As crianças corriam desesperadas pela mata, na cabeça do pobre menino só vinham flashes da cena que tinha presenciado há pouco. Seus pais covardemente assassinados na sua frente. Ele não podia fazer nada, apenas correr para salvar a sua irmã.
Enquanto fugiam desnorteadas, logo ali ao seu encalço estavam alguns mamelucos perseguindo o seu rastro sob as ordens do terrível Scottuns.
Capella percebia que sua indefesa irmã não compreendia muito bem o que ocorria, mas de forma alguma teria tempo para lhe explicar alguma coisa.
De repente as vozes ficaram bem perto e Capella pode avistar a vegetação se movendo bem próximas deles, ao mesmo tempo seus ouvidos perceberam um forte som de água e por impulso seguiu naquela direção. Ao passar correndo por uma árvore ouviu um assobio e uma flecha cravou-se no imenso carvalho. Em instantes outras flechas soavam por entre os arbustos até que avistou uma claridade á sua frente.
O menino correu naquela direção e já sentia que os seus algozes estavam lhe alcançando, seria o fim dele e da sua irmã. Foi quando parou repentinamente e diante de seus olhos surgiu uma imensa cachoeira e um profundo precipício ao seu lado.
Neste momento também se virou e reparou nas criaturas que estavam na sua frente. Cinco homens baixos, com barba rala e aparência assustadora. A pequenina Cássias começou a chorar novamente. Foi quando um homem surgiu por trás da mata. Ele tinha os olhos negros como a sua armadura, sua barba mal feita somada ao seu semblante sinistro lhe conferia um ar assustador. Ele parou diante das crianças e disse:
- Em nome do meu senhor, Badslov, eu Scottuns irei arrancar-te a cabeça! Ahahaha. Mas antes lhe explicarei em detalhes a técnica que vou utilizar para matar-te e a tua irmã.
Naquele momento raios cruzaram os céus e a terrível gargalhada daquele homem cruel pareceu ecoar por todo o vale quase mais audível que o som da cachoeira ao lado.
Scottuns ergueu a espada e quando foi desferir o golpe fatal, algo estranho aconteceu. Uma luz muito intensa refletiu o Sol na cachoeira cegando o emissário da morte e seus comparsas. Ao abrir os olhos tentou inutilmente golpear as crianças, mas a sua lamina ainda suja com o sangue inocente dos pais encontrou somente a resistência do próprio ar.
Correu então até a beira do precipício e não conseguiu avistar nada. Um dos mamelucos se aproximou e disse:
- Crianças estúpidas! Atiraram-se do abismo com medo de vossa espada!
Scottuns ainda confuso com o ocorrido virou-se para o servo e disse:
- Cala-te animal imundo! Tenho que ter certeza que eles sucumbiram! Revistem toda margem do rio imediatamente! E que ninguém os impeça!
Os homens partiram então e Scottuns já prevendo a ira de seu mestre fica imaginando uma forma de se reportar a Badslov sem que este o extermine por não levar a cabeça do jovem menino.
Há alguns quilômetros dali, na margem esquerda do rio, um menino tentava agarrar-se a alguns galhos. Ele estava muito ferido e ensopado. Uma de suas mãos estava fechada com força segurando um pequeno pedaço de pano da roupa da sua pequena irmã que havia desaparecido. Ele percebeu seus sentidos o abandonando e quando seu corpo já relaxava pronto para se entregar, ouviu uma voz que lhe disse:
- Não desista meu filho! Não é hora de desistir!
Aquela voz parecia-lhe muito familiar, mas não conseguia recordar-se, foi quando ouviu um galope e de repente seu corpo foi puxado para fora da água, sem saber o que ocorria começou a socar aquele homem que o puxara. Este o olhou profundamente e disse:
- Não tema, pequenino, te levarei daqui!
Capella continuava sem entender e disse:
- Minha irmã! Tenho que achar minha irmã!
O homem já subindo no cavalo e acomodando o menino disse:
- Nesse momento não podemos mais alcançá-la! Eu lamento!
E partiu em direção ao Oeste a toda velocidade deixando a Escandinávia para trás e junto com ela os corpos da família que havia sido tocada pela fúria de Badslov.
Horas mais tarde, Richard Scottuns entra na torre de Badslov com três mamelucos carregando sacolas ensangüentadas e um Cachorrossauro na corrente.
Badslov que estava chicoteando uma freira interrompe seus movimentos e olha para os seus aliados. Ao observar o que eles carregavam, ordena:
- Joguem aqui as cabeças dos infantes!
Scottuns com olhar apavorado faz sinal para que os mamelucos obedeçam.
Estes jogaram o conteúdo da sacola no chão e Badslov aproximou-se para ver melhor. Sem entender muito bem o que estava na sua frente, ele pergunta:
- Por mil demônios! O que é isto que vocês me trouxeram!
Scottuns toma a frente e diz:
- Trouxemos as cabeças milorde! Conforme ordenaste!
Badslov ergue sua espada e diz:
- Ninguém, repito ninguém deve zombar de mim!
E atira a lâmina pontiaguda na direção da pobre freira que estava se recompondo arremessando-a até a parede onde fica cravada sem vida!
Voltando-se de novo aos servos ele diz:
- Aqui temos dois crânios de crianças, mas são apenas ossos! O que ocorreu!
Scottuns toma a frente e responde:
- Meu senhor! Ordenei aos mamelucos que soltassem os Cachorrossauros nas crianças, quando chegamos já era tarde e eles já haviam comido toda a carne, restando apenas os ossos!
Badslov em silencio puxa a espada que prendia o corpo da freira na parede, se aproxima do mameluco que segura o Cachorrossauro e diz:
- Que isto lhe sirva de lição! Seu maldito!
E com um movimento brusco arranca o braço do mameluco que segurava o horrendo animal! Que ao ver o sangue jorrando se lança sobre o mameluco devorando-o por completo.
Badslov então abre a capa e diz:
- Belíssimo animal esse, dê-lhe mais dez bebês como recompensa! Scottuns percebendo que sua historia tinha convencido Badslov pede permissão para se retirar enquanto seu mestre solta gargalhadas de satisfação que ecoaram por todo o castelo. Ninguém mais poderia lhe deter, ninguém!

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