terça-feira, 11 de setembro de 2007

Diario de Um Lacaio - Parte I

Escandinávia Média, 10ª Lua do Trigésimo Decano de Marte.

Não costumo me explicar. Mas, para que a história não distorça minhas palavras (é esta uma vã tentativa) começo a deixar aqui registrados os fatos que vivi. Que os espiritos malignos - aliados do mestre - não me entreguem a luz por tamanha traição.

Dentro desta minha aparente casca de crueldade, por Criptos(*), enconde-se uma alma que, apesar de negra como o piche dos pântanos, pensa ... Que maldição é esta? Porque não posso ser como estes mamelucos ignorantes? pelo menos teria paz... e dormiria, ao invés de passar noites e noites refletindo ...

Agora, para que este tormento não se acumule em meu peito e a torrente de pensamentos me enfraqueça durante uma batalha, sinto a necessidade de por para fora todas estas palavras e pensamentos. Espero que tais memórias não caiam em mãos errantes antes que meu tempo tenha se esgotado, porque senão será terrível o que poderá acontecer comigo, principalmente se estas mãos sejam as mesmas que tornaram negras estas terras que antes foram verdejantes.

Ahhh Escandinávia Média ... terra minha! Já conhecestes melhores tempos. Tempos longinquos em que possuías outros nomes, há tempos esquecidos e que não me atrevo sequer recordar. Sempre que faço isso - puxo pela memória - lágrimas brotam dos meus olhos marcando minha face enegrecida.

Hoje, todo território dominado pelo Negro Ser, Mestre de Todos (aquele que de apenas ser citado causa morte), se chama assim: Escandinávia Média, ou Média Escandinávia, como preferir, desde que sejam sempre as duas palavras, está é a única liberdade que temos. Porque? Soberba do Mestre? Não....
Se assim fosse, todos os territórios teriam seu nome... O Negro Mestre das Trevas não perde seu tempo nomeando conquistas, sua única motivação é causar dor e sofrimento!
A falta de criatividade se deve as poucas cabeças "pensantes" que sobreviveram a matança que assola o reinado do Putrido Mestre.

Essa sede de morte nos causa vários problemas. Nenhuma ciência, geografia, arte, literatura consegue se desenvolver! Estão todos os sábios mortos, ou prestes a morrer. Nossos territórios não podem mais se expandir, porque chegaram aos limites dos grandes mares. Não temos capacidade de construir veículos que consigam vencer as distâncias por mar e finalmente desvendar seus mistérios....

Quantas perguntas! A terra é chata? se pelo mar viajássemos cairíamos pelas bordas do mundo, ou seríamos devorados por seres inomináveis? Talvez inomináveis não, poderiam eles serem chamados, em um hipotético encontro de: inomináveis seres da escandinávia média?!?!?!

Certa vez, tentei resolver estes mistérios com a ajuda destes imprestáveis e preguiçosos mamelucos. Amarrei cordas aos tornozelos de meia dúzia deles e mandei que nadassem o mais longe que pudessem e me trouxessem relatos do que viram. Malditos, todos mortos! Alguns com partes dos corpo faltando, o que pelo menos me garante que existem perigosas criaturas nadando nestas verdes águas. Sinceramente, espero que os olhos dos Mestre continuem cegos para as possibilidades expansionistas destas águas.

Mas, o maior problema causado por esta ignorância crônica ocorre quando o Negro Ser do Mal nos envia em alguma diligência. Ele diz:
- Vão a Escandinávia Média e me tragam a cabeça de Fulano!
Jamais me atrevi a perguntar com mais detalhes a localização dos supostos infelizes! Então, por onde começar se todo este amaldiçoado lugar tem o mesmo nome? As vezes a maldita sorte nos sorri e somos agraciados por um apontar casual de dedo do mestre, e a busca se torna menos dolorosa, necessitando menos área a ser coberta.

A maldita sorte nos mantém vivos também! O Mestre do Mal, deixou a expansão e a segurança de seu império sob a responsabilidade de um exercito de preguiçosos, ignorantes, incapazes e frágeis mamelucos! Malditos mestiços! Se reproduzem como praga! E só prestam para alimentar a única força deste império: os terríveis Cachorrosauros.

É verdadeira a lenda que conta um encontro entre um exercito de mamelucos e uma meia dúzia de camponeses bêbados. Um completo desastre, os ineptos mamelucos (mais de cem!) foram massacrados! O incidente só não tomou uma dimensão de completa revolta popular graças a um velho cachorrossauro, que fez de seu último alimento os camponeses, que de tão bêbados fermentaram no velho estômago da infeliz criatura que explodiu! cobrindo 3 quadras do reino de tripas e tornando o lugar mais inábitavel do que era.

É esse cachorrosauro e seu feito que estão representados em bronze no principal jardim do palácio. A única criatura que mereceu tamanha homenagem de um homem cujo coração não bate a anos.

(*) Criptos - Deus das Lápides cobertas de musgo.

Richard Scottuns é Lacaio do Senhor das Moscas, General do exercito de mamelucos, formado em forja de espadas pela Universidade Escandinávia Média da Média Escandinávia.

3 comentários:

PIMENTA disse...

HUAHUAHUHUHUHUHUAHUHUAHUAHUAHUA
DO CARVALHO...
Muito criativo e de boa fluência. Gostei, me lembrou um pouco o filme "Fomos Herois" que mostra os dois lados da história, seus personagens e suas angustias e sonhos...
bom complemento..
aguardo o próximo capítulo ansioso

Alexandre Dias & Paula Brombatti disse...

Muito Bom!

Diário de um lacaio me fez lembrar das aventuras de Tom Bombadil* (claro!! nada comparado ao terrivel Richard Scottuns).

Na espera dos proximos capítulos...

Grande Abraço a todos!

(*)Tom Bombadil é um personagem da série O senhor dos anéis (The Lord of the Rings) de J.R.R.Tolkien. Um ser misterioso e poderoso, que habita com Fruta d'Ouro a Floresta Velha, e que conversa com as árvores, as entende, e por elas é ouvido e obedecido.

Fabiano disse...

Realmente muito bom...

Lembra mesmo o Tom Bombadil. O lado negro de Tom Bonbadil, poderáimos dizer.

Richard Scottuns, um personagem intrigante, que na sua crueldade e maldade encontra indginações a respeito do mundo em que vive...

Cara sensacional...

Esse personagem não pode morrer, deve ser convertido para o lado do bem e se tornar o fator chave para a triunfal vitóiria dos cavaleiros da virtude. Acho que poderíamos criar essa enquete futuramente...


Abraço,