
Capítulo XIX – O Sábio
No alto da mais alta montanha de Ieravan, em uma região conhecida como o Monte do Mão-pelada e incrustada na mais íngreme rocha, denominada como “A Pedra do Urubu”, vivia um homem solitário. Muitas pessoas do vilarejo desconheciam seu passado, entretanto ele era amado por todo o povo daquela região e bem próximo aos céus este homem refletia sobre os princípios da vida e sobre os feitos da natureza.
Ele recebia constantemente a visita das pessoas amigáveis daquela região e de seus bons amigos de outrora, por vezes também era importunado pelos mais antigos aldeões que o chamavam de Oráculo e vinham atrás dos seus conselhos sobre todas as mais diversas áreas do conhecimento. Estas eram inúmeras e através dos anos envolvido nas escrituras dos antigos povos, Pepper Google, como era conhecido, conseguiu habilitar-se na engenharia, arquitetura, medicina, alquimia, geografia, botânica, mitologia, astrologia, mímica, física, cinética, arte, culinária, biologia, filosofia, além de diversas artes marciais e cultos a deusas pagãs. Toda essa gama de informações fez com que o seu cérebro atingisse pontos que nenhuma mente humana já tinha desenvolvido, além de ser um excelente lingüista dominando diversos dialetos antigos e contemporâneos ao seu tempo, inclusive o dificílimo idioma dos Hottentotens.
Relatos históricos datavam de inúmeras esculturas e manuscritos que o homenageavam, porém infelizmente todas foram atribuídas a Platão, Sócrates, Aristóteles e outros sábios antigos em um gravíssimo erro dos historiadores que sucederam a sua época.
Após tanto estudo Pepper percebeu que a essência da humanidade estava destinada a paz e a iluminação, mas ao mesmo tempo começou a refletir sobre a sua condição de eremita solitário. Pepper estava cansado de absorver tanta informação e não poder colaborar em nada para o bem da raça humana. Além disso, a solidão e a leitura de alguns escritos tântricos oriundos dos povos da Índia fizeram com que despertasse uma necessidade de encontrar alguém para amar e constituir uma família.
Outra preocupação recorrente ao Sábio da Montanha era a mancha rubra de sangue que vinha do leste se alastrando por todos os povos. Tal ameaça, denominada por muitos como “A Mão do Senhor das Sombras” e por outros como o “Ataque das Feras Caninas”, lhe traziam a certeza que a qualquer momento os terríveis mamelucos e Cachorrossauros que andavam por Ieravan de forma errante e sem grandes pretensões poderia se intensificar em uma tentativa de dominação partindo da temida Escandinávia Média.
Naquela manhã quente de Agosto, Pepper estava sentado no alto da Pedra do Urubu, observando as casas do belíssimo povoado de Ieravan, dali do alto daquele monte conseguia ver suas lindas e verdejantes pastagens e a praça central da cidade aonde os aldeões iam e vinham em sua lida diária. Povo alegre aquele que tinha no pastoreio e na cultura de abóboras nanicas suas maiores economias.
Ele podia também enxergar a tranqüila e silenciosa paróquia onde viviam as freiras cegas, surdas e mudas da ordem das Franciscanas cantantes, mais uma vez sorriu solitariamente enquanto pensava que aquele nome soava muito estranho para os jovens que desconheciam aquele lugar. Não para ele, já que lera as escrituras que datavam do século passado e narravam que uma única freira surda e cega, porém não muda, vivia naquele celibatário a cantar alegremente nunca importunando suas companheiras que nada ouviam.
Ao olhar um pouco mais ao Norte pode perceber o seu bom amigo Johan levando suas ovelhas para o pasto, ele era conhecido na região por adestrar seu rebanho e ensiná-las a subir os altos montes íngremes como se fossem cabras montanhesas, ah famosas eram essas ovelhas, cujas pernas musculosas destacavam-se das demais ovelhinhas dos povoados vizinhos, pensou Pepper, lembrando-se também que deveria levar ao bom frei Johan as mudinhas de tomilho que tinha prometido no inverno passado.
De repente um estranho ruído quebrou o silencio daquele momento, Pepper levantou-se bruscamente preocupado com o som de um galope nervoso e já estava pronto para um ataque de um mameluco errante quando avistou os dois cavalos negros se aproximando em alta velocidade.
Ao reconhecer as figuras que se aproximavam ele gritou:
- Salve grande Ederus, senhor da bravura e dos jogos de guerra! Há quanto tempo não te vejo por essas bandas!
- Salve meu bom amigo Pepper, mestre do conhecimento supremo!
- Mestre Buana! Mim pode cumprimentar homem sabido? – Disse Motambo se aproximando.
- Claro cidadão! Já te expliquei que... Ah deixa pra lá!
- Hakunamatata grande homem sabido da montanha! – Disse Motambo mostrando seus claríssimos dentes ao homem que se aproximava.
- Bom dia grande guerreiro Motambo, príncipe do Alto Ébano Médio! Vejo que abateu outra presa! O que tens aí um Filhote de Cachorrossauro ou um Lobo? – Disse Pepper não identificando muito bem o volume que ali estava repousado.
Ederus percebendo o problema adiantou-se descendo do seu animal:
- Não meu bom amigo! Não é um animal morto que Motambo carrega! Mostre a ele Motambo!
- Sim Buana! – Disse Motambo descendo do cavalo e pegando a moça desacordada em seus braços. Ele a carregou até onde Pepper estava e a repousou na grama.
No momento que os raios de sol tocaram a face da moça ferida, Pepper desconfiou que estivesse sofrendo de alguma alucinação. A beleza daquela moça era próxima às antigas descrições angelicais que tinha ouvido uma única vez em um ritual Druida que participara nas ruínas de Stonehenge no solstício de verão.
O pulso do sábio estava profundamente alterado e um suor gélido lhe correra pelo rosto, sem saber muito bem o que dizer, ele perguntou aos guerreiros:
- De onde veio esta donzela?
- Nós a salvamos de alguns estúpidos soldados de Badslov! Ela e a amiga estavam sendo torturadas na floresta negra da Escandinávia Média, quando chegamos!
- E a amiga? – Perguntou Pepper.
- Não conseguimos chegar a tempo de salvá-la! - Disse Éderus cabisbaixo.
- Grande sábio! Moça muito doente! Precisa cuidado! – Disse Motambo preocupado.
Pepper que até então não tinha se recuperado da estranha sensação que lhe atingira em cheio, parou por um instante de admirar a donzela enferma. Aproximou-se do seu corpo e com as mãos trêmulas tentou escutar as batidas do seu coração. A respiração e a pulsação estavam fracas e a febre parecia incandescer a pele clara nunca antes tocada pelo sol de Ieravan.
Pepper determinado levantou-se e proferiu:
- Motambo! Traga-me uma pétala da flor roxa que nasce atrás da grande árvore de cedro centenária de Ieravan!
- Sim Buana! Motambo buscar flor!
- Traga também um pouco de saliva do sapo boi que coaxa próximo ao pântano das sombras! Mas tome muito cuidado, deves trazer de um sapo jovem com no máximo três anos de vida!
- Mim entender!
- Pepper, meu bom amigo! – Disse Ederus - Vejo que já está cuidando da moça e sei que em tuas mãos ela viverá! Peço-te licença, pois tenho que encontrar minha amada Ellis! Há muito sinto sua falta!
- Vá meu bom amigo! Toda a minha alma estará entregue na tarefa de salvar essa princesa! Procure Ellis, ela anda muito triste desde que tu partiste para o Oriente!
- Motambo! Ajude Pepper no que for preciso, sei que tuas habilidades e tua velocidade descomunal trarão aquilo que ele pede rapidamente!
- Sim Buana! Mim partir agora!
Os amigos se despediram então e seguiram em direções opostas, enquanto isso Pepper acomodou Christine em um confortável leito feito da mais nobre pluma de ganso. Ele passou a mão sobre os cabelos da jovem e acariciando sua face machucada disse:
- Não temas, meu anjo! Logo estarás curada!
No alto da mais alta montanha de Ieravan, em uma região conhecida como o Monte do Mão-pelada e incrustada na mais íngreme rocha, denominada como “A Pedra do Urubu”, vivia um homem solitário. Muitas pessoas do vilarejo desconheciam seu passado, entretanto ele era amado por todo o povo daquela região e bem próximo aos céus este homem refletia sobre os princípios da vida e sobre os feitos da natureza.
Ele recebia constantemente a visita das pessoas amigáveis daquela região e de seus bons amigos de outrora, por vezes também era importunado pelos mais antigos aldeões que o chamavam de Oráculo e vinham atrás dos seus conselhos sobre todas as mais diversas áreas do conhecimento. Estas eram inúmeras e através dos anos envolvido nas escrituras dos antigos povos, Pepper Google, como era conhecido, conseguiu habilitar-se na engenharia, arquitetura, medicina, alquimia, geografia, botânica, mitologia, astrologia, mímica, física, cinética, arte, culinária, biologia, filosofia, além de diversas artes marciais e cultos a deusas pagãs. Toda essa gama de informações fez com que o seu cérebro atingisse pontos que nenhuma mente humana já tinha desenvolvido, além de ser um excelente lingüista dominando diversos dialetos antigos e contemporâneos ao seu tempo, inclusive o dificílimo idioma dos Hottentotens.
Relatos históricos datavam de inúmeras esculturas e manuscritos que o homenageavam, porém infelizmente todas foram atribuídas a Platão, Sócrates, Aristóteles e outros sábios antigos em um gravíssimo erro dos historiadores que sucederam a sua época.
Após tanto estudo Pepper percebeu que a essência da humanidade estava destinada a paz e a iluminação, mas ao mesmo tempo começou a refletir sobre a sua condição de eremita solitário. Pepper estava cansado de absorver tanta informação e não poder colaborar em nada para o bem da raça humana. Além disso, a solidão e a leitura de alguns escritos tântricos oriundos dos povos da Índia fizeram com que despertasse uma necessidade de encontrar alguém para amar e constituir uma família.
Outra preocupação recorrente ao Sábio da Montanha era a mancha rubra de sangue que vinha do leste se alastrando por todos os povos. Tal ameaça, denominada por muitos como “A Mão do Senhor das Sombras” e por outros como o “Ataque das Feras Caninas”, lhe traziam a certeza que a qualquer momento os terríveis mamelucos e Cachorrossauros que andavam por Ieravan de forma errante e sem grandes pretensões poderia se intensificar em uma tentativa de dominação partindo da temida Escandinávia Média.
Naquela manhã quente de Agosto, Pepper estava sentado no alto da Pedra do Urubu, observando as casas do belíssimo povoado de Ieravan, dali do alto daquele monte conseguia ver suas lindas e verdejantes pastagens e a praça central da cidade aonde os aldeões iam e vinham em sua lida diária. Povo alegre aquele que tinha no pastoreio e na cultura de abóboras nanicas suas maiores economias.
Ele podia também enxergar a tranqüila e silenciosa paróquia onde viviam as freiras cegas, surdas e mudas da ordem das Franciscanas cantantes, mais uma vez sorriu solitariamente enquanto pensava que aquele nome soava muito estranho para os jovens que desconheciam aquele lugar. Não para ele, já que lera as escrituras que datavam do século passado e narravam que uma única freira surda e cega, porém não muda, vivia naquele celibatário a cantar alegremente nunca importunando suas companheiras que nada ouviam.
Ao olhar um pouco mais ao Norte pode perceber o seu bom amigo Johan levando suas ovelhas para o pasto, ele era conhecido na região por adestrar seu rebanho e ensiná-las a subir os altos montes íngremes como se fossem cabras montanhesas, ah famosas eram essas ovelhas, cujas pernas musculosas destacavam-se das demais ovelhinhas dos povoados vizinhos, pensou Pepper, lembrando-se também que deveria levar ao bom frei Johan as mudinhas de tomilho que tinha prometido no inverno passado.
De repente um estranho ruído quebrou o silencio daquele momento, Pepper levantou-se bruscamente preocupado com o som de um galope nervoso e já estava pronto para um ataque de um mameluco errante quando avistou os dois cavalos negros se aproximando em alta velocidade.
Ao reconhecer as figuras que se aproximavam ele gritou:
- Salve grande Ederus, senhor da bravura e dos jogos de guerra! Há quanto tempo não te vejo por essas bandas!
- Salve meu bom amigo Pepper, mestre do conhecimento supremo!
- Mestre Buana! Mim pode cumprimentar homem sabido? – Disse Motambo se aproximando.
- Claro cidadão! Já te expliquei que... Ah deixa pra lá!
- Hakunamatata grande homem sabido da montanha! – Disse Motambo mostrando seus claríssimos dentes ao homem que se aproximava.
- Bom dia grande guerreiro Motambo, príncipe do Alto Ébano Médio! Vejo que abateu outra presa! O que tens aí um Filhote de Cachorrossauro ou um Lobo? – Disse Pepper não identificando muito bem o volume que ali estava repousado.
Ederus percebendo o problema adiantou-se descendo do seu animal:
- Não meu bom amigo! Não é um animal morto que Motambo carrega! Mostre a ele Motambo!
- Sim Buana! – Disse Motambo descendo do cavalo e pegando a moça desacordada em seus braços. Ele a carregou até onde Pepper estava e a repousou na grama.
No momento que os raios de sol tocaram a face da moça ferida, Pepper desconfiou que estivesse sofrendo de alguma alucinação. A beleza daquela moça era próxima às antigas descrições angelicais que tinha ouvido uma única vez em um ritual Druida que participara nas ruínas de Stonehenge no solstício de verão.
O pulso do sábio estava profundamente alterado e um suor gélido lhe correra pelo rosto, sem saber muito bem o que dizer, ele perguntou aos guerreiros:
- De onde veio esta donzela?
- Nós a salvamos de alguns estúpidos soldados de Badslov! Ela e a amiga estavam sendo torturadas na floresta negra da Escandinávia Média, quando chegamos!
- E a amiga? – Perguntou Pepper.
- Não conseguimos chegar a tempo de salvá-la! - Disse Éderus cabisbaixo.
- Grande sábio! Moça muito doente! Precisa cuidado! – Disse Motambo preocupado.
Pepper que até então não tinha se recuperado da estranha sensação que lhe atingira em cheio, parou por um instante de admirar a donzela enferma. Aproximou-se do seu corpo e com as mãos trêmulas tentou escutar as batidas do seu coração. A respiração e a pulsação estavam fracas e a febre parecia incandescer a pele clara nunca antes tocada pelo sol de Ieravan.
Pepper determinado levantou-se e proferiu:
- Motambo! Traga-me uma pétala da flor roxa que nasce atrás da grande árvore de cedro centenária de Ieravan!
- Sim Buana! Motambo buscar flor!
- Traga também um pouco de saliva do sapo boi que coaxa próximo ao pântano das sombras! Mas tome muito cuidado, deves trazer de um sapo jovem com no máximo três anos de vida!
- Mim entender!
- Pepper, meu bom amigo! – Disse Ederus - Vejo que já está cuidando da moça e sei que em tuas mãos ela viverá! Peço-te licença, pois tenho que encontrar minha amada Ellis! Há muito sinto sua falta!
- Vá meu bom amigo! Toda a minha alma estará entregue na tarefa de salvar essa princesa! Procure Ellis, ela anda muito triste desde que tu partiste para o Oriente!
- Motambo! Ajude Pepper no que for preciso, sei que tuas habilidades e tua velocidade descomunal trarão aquilo que ele pede rapidamente!
- Sim Buana! Mim partir agora!
Os amigos se despediram então e seguiram em direções opostas, enquanto isso Pepper acomodou Christine em um confortável leito feito da mais nobre pluma de ganso. Ele passou a mão sobre os cabelos da jovem e acariciando sua face machucada disse:
- Não temas, meu anjo! Logo estarás curada!
7 comentários:
"Hakunamatata" (Bah!!!Tu te puxou nessa em Capela - continua assim!!) - Galera!!!
Gostaria de deixar registrado aqui minha manifestação, em relação ao Personagem Motambo...
Mim gostar da participação e habilidades já relatadas do Príncipe Motambo
Mim achar muito engraçado.
Mas porquê ele tem que ser tão puxa saco do Éderus assim....
Por que será que o desenho do Sábio ficou tão bom???
Hehehe, que bom que está admirando vosso personagem, quanto à sua fidelidade ao Ederus acho que dispensa qualquer comentário, heheheh!
Aguarde novos capítulo, pois muitas emoções aguardam o grande guerreiro mouro!
Quanto ao desenho do sábio, na minha sincera opinião está muito parecido com uma cruza entre o nosso Lula e Obi Wan Kenobi, aliás será que o próprio Pimenta não seria uma cruza desses dois?
Humm interessante, exceto pela barbicha que ele acrescentou no desenho é claro!
o meia-nove no peito e a bandeirinha do movimento GLS na outra como aura está meio estranho
Caro amigo anonimo,
no próximo desenho mostrarei o "Cajado"
aguarde...
HEHEHEHEHE!
Realmente nosso amigo anônimo está, destacou algo que não tinha notado. Ficou um sábio muito suspeito....
Cara... Sensacional....
O capítulo mais engraçado de todos até agora.. E a diversão continua com os comentário... Hilário...
Muito bom, continuem assim....
Quanto ao desenho.... o 69 tá interessante, um número cabalístico muito digno, mas realmente, aquela aura colorida ficou meio gay... Mas tudo bem, não desmereçe em nada, nem o desenho nem o personagem....
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