quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Badslov - O Retorno (Capítulo XXII)

Capítulo XXII – O Refúgio

Muito próximo ao mosteiro das freiras, cegas, surdas e mudas, ficava uma bela casa de camponeses. Ali viviam o grande Aririus e sua esposa Nenain, ambos eram bem idosos e moravam ali sossegadamente sustentando-se da sua pequena plantação de abóboras nanicas e da pesca do mais nobre bacalhau de todo reino Nórdico da Escandinávia.
Essa Escandinávia, ainda não tocada pelas mãos de Badslov era conhecida apenas como a Velha Escandinávia, e somente não tinha sido anexada à temida Média Escandinávia, pelo fato de Badslov ter se interessado primeiro por outras terras onde sua loucura e tirania haviam causado toda dor e sofrimento que um povo poderia suportar, como fora o caso da Baixa Escandinávia e da Alta Escandinávia que hoje eram apenas chamadas de Escandinávia Média.
Os cavalos dos guerreiros da virtude aproximaram-se do pátio da casa simples, porém acolhedora da família Del Medeiros. Ao perceberem o barulho do lado de fora, os dois velhinhos saíram para ver o que estava acontecendo e ao verem quem estava ali descendo dos cavalos se abraçaram em sinal de alegria. Seus filhos tinham retornado de mais uma jornada à Nova Espanha.
Aririus já fora um grande viajante em sua mocidade e desde que ele e sua família tinham deixado a Espanha para aventurar-se nas terras Nórdicas, sempre procurou incentivar seu filho a amar e visitar a terra Natal. Foi nessa viajem há muitos anos atrás, que passando próximo ao território dominado pelo Lorde das Trevas, a nobre família espanhola esbarrou no pobre filhote de Ogro ferido e deixado para morrer. Hoje aquele ser imenso estava ali novamente em sua casa, forte, poderoso e melhor do que isso, leal amigo do seu filho biológico que desde pequeno sempre tratou o Ogro com carinho e respeito.
Aririus ao aproximar-se de Frodo abriu os braços e disse:
- Meu menino, você voltou de novo pra casa, e percebo que anda mais magro...
Frodo sorrindo disse ao velho:
- Grande Aririus, tu não mudas mesmo! Sempre preocupado comigo como se fosse um garoto! Mas vamos entrar! Como podes perceber carrego uma jovem em situação complicada!
- É claro! Esse menino! Sempre carregando uma menina! Hehehe. Entrem todos vocês! Esse é o meu menino!
- Grande Paizão! – Gritou Dan agarrando Aririus e levantando-o como se fosse um boneco.
- É grandalhão! Também senti a tua falta! – Disse o bondoso senhor quase sem fôlego com os apertões do Ogro emocionado.
Capella e Lucienne aproximaram-se da Dona Nenain e apresentaram-se cordialmente, a bondosa senhora os indicou que entrassem para descansarem, enquanto isso, Frodo dirigiu-se ao seu quarto e repousou Kamily sobre a sua cama.
A sua mãe adentrou os aposentos e perguntou ao jovem:
- Essa moça, meu filho, onde a encontraste?
- Tenho encontrado em meus sonhos há alguns meses, mas há alguns dias eu a salvei de um tirano!
- Deixe-me cuidar dos seus ferimentos! Tenho aqui algumas ervas que o sábio da montanha distribuiu no Solstício de Inverno.
- Sim minha mãe! Eu sabia que aqui era o lugar para trazer a bela Kamily! Sei que cuidarás dela!
- Agora deixe-me aqui tratando dos ferimentos da moça! Vá lá fora com seus amigos e encha de alegria o seu velho pai que está com saudades!
Frodo saiu então encontrando na cozinha com os seus amigos. Dan estava sentado saboreando um gigantesco pernil de ovelha musculosa, enquanto Capella e Lucienne conversavam animadamente com Aririus que não se cansava de contar fatos da infância de Frodo, sempre se referindo ao Guerreiro da Amizade como “Esse menino...”. Era realmente muito engraçado o jeito de falar do bondoso pai de Frodo, muitas vezes parecia que estava simplesmente resmungando alguma frase em um tom que jamais se alterava, entretanto aquela voz constante e grave enchia de paz e tranqüilidade àqueles com quem dialogava.
Àquela noite todos descansaram e cuidaram dos seus ferimentos, os guerreiros estavam muito cansados da intensa viajem desde a Espanha e principalmente da luta que tinham travado em Urik alguns dias atrás. Logo após jantarem um gigantesco Javali que Dan caçou à tardinha, os Guerreiros reuniram-se na varanda da casa. Lucienne estava no quarto ajudando Nenain a cuidar de Kamily e o velho Aririus estava sentado perto à lareira resmungando alguma coisa em um dialeto antigo, seus pensamentos flutuavam até uma época antiga em que ele e seus contemporâneos travavam batalhas e viviam aventuras semelhantes às façanhas narradas pelos seus filhos.
Capella olhando para a fumaça que saia do mosteiro perguntou ao amigo:
- É ali! Naquela casa que vive o próximo guerreiro? Não é mesmo?
- Sim! – Respondeu Frodo. – Ali vive o bondoso Frei Johan!
- E como convenceremos um ex-guerreiro a voltar às batalhas? – Perguntou Capella.
- Se ele não quiser por bem! Dan pega ele a força! É só o Sr. Frodo me dizer que eu vou lá e... – Resmungou o Ogro já se levantando da sua poltrona.
- Hehehe calma, meu amiguinho! Não devemos obrigar ninguém! Vou tentar argumentar com Johan, espero que consiga convencê-lo! – Disse Frodo. – Além do mais, seria uma briga interessante, já que de Frei, Johan tem só a vestimenta e o coração!
- Como assim? Perguntou Capella, enquanto Lucienne se aproximava receosa com os novos amigos.
- Johan foi um dos Guerreiros mais fortes e violentos que esse mundo já encontrou! Eu nunca soube exatamente o que lhe fez desistir de tudo, mas com certeza não foi só a descoberta de alguma vocação espiritual!
- Hehehe. Esquisito esse Frei! – Disse Lucienne sorrindo. – Há pouco a dona Nenain me falava que ele cria umas ovelhinhas e passa horas do dia se exercitando próximo a montanha! Ele deve ser meio doido!
- Ele hoje é um homem muito bom! Sua compaixão para com os outros seres, o fazem o grande líder espiritual de Ieravan! Sem contar a ajuda que dá as pobres freiras!
- Humm! Não vejo nada demais nisso tudo! Aposto que ele nem é tudo isso! – Disse Lucienne já complicando.
- Amanhã iremos procurá-lo! E tu terás a oportunidade de conhecer essa grande figura.
- Aposto que eu arrancaria a cabeça dele facilmente! – Disse Dan emburrado e sentando-se violentamente na rede que estava pendurada na varanda, fazendo com que seus amigos caíssem nas risadas.
Enquanto todos brincavam, Capella fitou um pouco mais a montanha na sua frente, mesmo estando uma noite clara de verão pode observar que além daquela formação rochosa existia uma densa nuvem negra que por vezes emanava raios de luz como se estivesse sempre em estado de tempestade.
Um vento fúnebre e frio soprou então, muito atípico para aquela época do ano, Lucienne encolheu-se arrepiada e os amigos silenciaram a prosa alegre. Frodo que estava sentado levantou-se e se aproximou do amigo dizendo:
- É naquela direção! Lá iniciam os domínios de Badslov!

Um comentário:

Anônimo disse...

E ai pessoal, passei só para lembrar que esta narração continua super legal!!!

Ah!!! E também dizer que este foi o melhor desenho que o Pimenta fez....

HUSHUSHUSHUSHUSHUSHUSHS.....

HEHEHE!!