terça-feira, 9 de outubro de 2007

Diario de Um Lacaio - Parte VIII

Escandinávia Média, 2ª Lua do Quaségimo Decano de Marte.
Um Tenente Promissor
A maior fraqueza de um homem é sua família. Pretendendo tornar-se invencível, o Grande Orfão das Trevas, desde sua mais tenra infância, tratou de eliminar qualquer traço de parentesco da face da terra. Tomou gosto pela coisa, e no embalo, perdeu o critério e decidiu eliminar qualquer criatura viva.
Eu também me imaginava invencível até o fatídico entardecer do 15º Sol do Segundo Milênio de Plutão, quando recebi atônito a notícia que uma freirinha do condado estava a pedir uma audiência comigo!!!
Que coragem, que audácia!
Nem me lembro a última vez em que estive perto de uma mulher que não estivesse gritando e querendo fugir!
A curiosidade, obviamente, venceu o conflito de interesses que surgiu dentro de mim.
Ela me apresentou um mesticinho, 1/3 mameluco, recém saído das fraldas e com traços de parentescos inegáveis. A surpresa me petrificou. Não sei se foi apenas uma impressão, mas fui tomado por um sentimento completamente novo, ou há muito esquecido.
Aproximei-me dele, ajoelhei-me, pretendendo fitá-lo de perto e procurando recordar como eu era em sua idade. E, então, uma idéia maligna perpassou por minha cabeça. E se, fosse eu este pequeno fedelho ranhento, e nesta tenra idade recebesse educação adequada? Poderia, quem sabe, tornar-me mais do que hoje sou? Fui acometido de uma terrível dor de cabeça. Muitos sentimentos novos, ou a muito esquecidos. Muitas profundas reflexões. Não estou acostumado a isso, melhor retornar a rotina!
Chamei um serviçal e ordenei que levasse a freira velha embora e com ela, também, o pequeno mijão! Imcompetentes como sempre, apenas a freira velha foi levada e encontrou a morte no "desfiladeiro del diablo".
O maldito mameluquinho se escondeu em um canto escuro e de cansaço adormeceu. Foi descoberto no dia seguinte comendo a ração dos cachorroussauros nos estábulos de trás do castelo.
Imaginando ser ele "o escolhido" - uma antiga lenda mameluca - foi trazido novamente a minha presença. Os mamelucos, povo escravizado pelas mãos do Negro Mestre do Chicote de Pontas, conta que há muitos anos um Xamã profetizou que eles seriam escravos de um bondoso rei. Este lhes daria uma vida longa, próspera e digna. Após 15000 luas de dominação, seriam eles libertados deste destino pelo "o escolhido". Ele se revelaria no topo do monte apalásio, montado em uma ave branca semelhante a um falcão gálico. A história é claro, dispensa maiores comentários...
Então, chegam eles carregando o pequeno fujão sobre um trono improvisado, com uma coroa improvisada como se este fosse um Deus! Ao gritos de "the little choose... the little choose..."Ou "el picolo tico escojido... el picolo tico escojido...".
Juro! Não me surpreendo com mais nada!
Espantei a todos de meus aposentos a gritos e golpes de espada.
De tão assustados com minha reação e, conseqüente, falta de respeito saíram em debandada. Deixando pra trás seu pequeno príncipe...
Pois, estava eu prestes a completar o serviço com aquela minúscula cópia de mim, quando minha espada parou a poucos centímetros de sua diminuta cabeça.
Por Cítero(*)! Não há como negar a sorte deste desgraçado, talvez, pensando bem, este estafermo me seja de alguma utilidade. Cauteloso, apliquei alguns testes no mijão. Há um ditado antigo que diz: Muitas cabeças pensantes, poucas presas aos pescoços!
Por fim, descobri que o danado tinha inteligência ligeramente superior aos mamelucos, o que lhe permitia cumprir tarefas simples com bastante eficiência, e nenhuma ambição....
Bom, muito bom...Se eu conseguir iniciar uma nova linhagem de guerreiros realizando cruzamentos deste fedelho com mamelucas, talvez, finalmente, consiga um exército a minha altura!
À propósito, dei a ele o nome de Kovalski(**).
(*) Cítero = Deus daqueles que tem mais sorte do que juízo.
(**) Kovalski = Espécie de pingüim, encontrado nas geladas e longínquas terras de Madagascar.

4 comentários:

João disse...

Muito bom!!!
A propósito, é a primeira vez que ouví falar e mamelucas!
Será que são "jeitosinhas"???

Anônimo disse...

h ah ha ha ha ha hah ah ah ah ah aha hahahaa hah ahha ha

imagina um fedelho em cima dum caixote com uma coroa improvisada estilo o ultimo imperador... muito hilario
acho que o nome dele devia ter sido TABAJARA...(os mamelucos gritando: nossos problemas acabaram) e em seguida muito pranchasso de espada...
boa cena

Pimenta

Fabio Capella disse...

Na verdade aconselho aos amigos acompanharem a trajetória do Kovalski no livro, pois será um personagem relevante na trama!

Scotta disse...

hehehehe, excelentes comentários...
Caro Frei, já não basta pegar as freirinhas, por acaso estas de olho em minhas mamelucas, também? já lhe aviso que elas tem cabelo no suvaco!

Pimenta, muito boa essa. Mas tive de deixar o nome do rapaz como é conhecido na verdade, a pedido do caro escritor capella (que eu juro ser o alter-ego do Borislov, ninguém me convence do contrário)