Um Segredinho
Mattone(*) não me aceitará em seu reino pós-vida, pelo menos não com as devidas honras, se eu levar esta mentira comigo. Só posso revelar aqui, neste papel, com esta pena, na solidão do meu quarto, caso contrário adiantaria a minha viagem sem volta.
Sempre que o Mestre-dos-Desafetos-de-Vida-Curta me solicita a morte de um inimigo, é me exigido como prova que eu traga a cabeça inerte do desafortunado. Já fiz isso muitas vezes, com aldeões de schoenstat, com familias de ogros das estepes da Alta-Escandinávia e mais recentemente, mas nem tanto, com a sua perseguição às crianças afim-de-que uma provável profecia não se concretizasse.
Pois nesta oportunidade, ao matar os pais de um pequeno casal de irmãos - sempre da minha forma preferida, dizendo em detalhes como irei realizar a matança - os ineptos mamelucos que me acompanhavam, deixaram escapar os irmãos que em sua fuga despencaram de uma cachoeira.
Acredito que não tenham conseguido sobreviver a tamanha queda. Mas, como tenho de levar uma prova do crime, e não tendo encontrado os corpos após breve busca, fui obrigado a "improvisar"...
De qualquer forma, se sobreviveram à cachoeira, como poderão durar muito duas crianças solitárias nestas nossas florestas negras e repletas de criaturas inimagináveis. Talvez não devesse eu que me preocupar com dois fedelhos ranhentos....
(*) Mattone = Grande Demônio responsável por receber heróicos cavaleiros a serviço do Mal e lhe oferecer 60 freiras virgens, no pós-vida é claro.

2 comentários:
Achei que Mattone fosse o grande demônio das dívidas:
O CrediMattone...
(Essa doeu!!)
Talvez seja meu caro Frei...
Como Scottuns não é um homem de fé, como o senhor, acredito que ele se confunda às vezes ... ou talvez o tempo todo.
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