Capítulo XXX – Um tenente promissorRichard Scottuns estava pessoalmente, como de costume, inspecionando o exercito de mamelucos e cachorrossauros que seriam enviados a Ieravan. Ao repassar a tropa de soldados fétidos e de aparência horrenda lhe passou um pensamento pelo cérebro maquiavélico:
...Tive um sucesso apoteótico em minha ultima incursão em Asgard, entretanto desperdicei muitos cachorrossauros e mamelucos na viajem. Creio que desta vez enviarei um contingente menor a Ieravan, afinal o sucesso será igualmente absoluto! Ahaha! Como sou cruel! – Pensou ele.
De repente ele parou diante de um mameluco que costuma classificar na raça corcundus, era uma criatura medonha, com os dentes apodrecidos e o tronco totalmente retorcido. Em suas mãos sustentava uma única adaga, obviamente era o único artefato que sua deficiência permitia carregar.
Ao olhar o ser medonho, Scottuns gritou:
- Tropa de estúpidos! Vejam o que este miserável está usando!
Os mamelucos olharam imediatamente para o pobre diabo que por azar tinha esbarrado em uma planta não percebendo que uma bela flor tinha repousado sobre o peitoral da sua armadura. Terrível descuido, já que nada passaria pelo crivo do terrível general das negras tropas de Badslov.
O mameluco, que tinha dificuldades para erguer o pescoço tentou falar com o seu mestre, mas antes mesmo de soletrar uma letra teve sua cabeça decepada pela lâmina do arauto infernal de Badslov.
- Joguem essa carcaça aos cães... - Gritou Scottuns diante da tropa amedrontada de escravos do demônio.
Quando o terrível general das terríveis tropas virou-se gritou alto:
- Seres desprezíveis! Vocês todos deveriam servir como alimento para os temíveis cães do oriente!
Naquele momento outro mameluco surgiu correndo na direção de Scottuns, o jovem guerreiro diferenciava-se dos horrendos seres oriundos das trevas, sua miscigenação parte mameluco e parte freira lhe concediam uma aparência agradável, muito diferente dos demais e do seu mestre inclusive. O jovem chamava-se Kovalski e sempre servira a Scottuns tratando de assuntos burocráticos e pertinentes a um indivíduo com um pouco mais de inteligência que os semi-acéfalos soldados do inferno.
Kovalski estava apressado naquele momento, ao aproximar-se de Scottuns ajoelhou-se e proclamou:
- Mestre! Mestre das incontáveis malesas! Trago-lhe informação valiosa!
- Diga meu discípulo! Sinto um abalo em vossa expressão!
- Senhor! Um mameluco errante do leste apareceu esta manhã!
- Sim e que diabos esse estrupício veio fazer aqui?
- Senhor esse é o problema! Ele não consegue falar direito! Fica apenas babando e tentando pronunciar algumas palavras!
- Mas como isso? Por mil demônios e de que forma ele pode me trazer uma informação útil seu estafermo!
- Mestre ele fez alguns desenhos, mas minha metade mameluca impede que consiga interpretá-los!
- Oh Grande Kérberus! Como pode essa maldição, ou melhor, deficiência sempre atravessar nosso caminho! Levanta-te agora mesmo e leve-me ao infeliz, creio que queimarei as mãos desse estafermo até que ele consiga desenhar algo que preste!
- Senhor das terríveis tropas! Temo que isso não seja possível! Pelo menos não nesse momento!
- Porque diabos tu está sendo insolente comigo Kovalski! Como ousas me dizer o que posso ou não fazer! Terei que arrancar-te o nariz para que passe a me respeitar?
- De forma alguma grande senhor do mal! É que o pobre teve os braços decepados! Ambos!
- Interessante... – disse Scottuns coçando as barbas. – Quem ousaria atacar ou reagir a um mameluco? Traga esse infeliz ao castelo do mestre! Iremos questioná-lo junto ao mestre!
- Sim meu senhor! Mas vossa crueldade permitirá que me aproxime dos aposentos do mestre?
- Porque não! Tenho planos para você meu pequeno, opa, quero dizer, meu discípulo! – Falou Scottuns atrapalhando-se em seu comentário e saindo rapidamente sem olhar para o jovem que ficara radiante com a oportunidade que estava surgindo.
Qual seria o segredo que o mameluco iria revelar das terras ao Leste? Será que algum oponente digno estaria naquela região? Ou outro mestre do mal podia estar vivendo naquelas terras desconhecidas?
Esses eram alguns dos questionamentos que perturbavam Scottuns enquanto caminhava em direção ao Castelo.
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