Capítulo XXXVIII – As irmãs de La RosaIeravan amanhecera com um dia ensolarado como sempre fazia naquelas pradarias. Os raios do astro-rei inundavam as verdes plantações de abóbora nanicas que eram exemplo para toda a Velha Escandinávia.
À medida que os raios solares clareavam as belas casinhas do vilarejo, seus habitantes iniciavam sua movimentação diária por entre as pequenas e simplórias ruelas do condado.
Os comerciantes estavam montando alegremente suas bancas na feira local, todos os dias pela manhã esses senhores iniciavam a rotina diária oferecendo aos grupos de transeuntes as diversas qualidades e pratos feitos da nobre abóbora nanica de Ieravan e dos famosos pernis musculosos de carneiro montanhês.
Na praça central existia um imenso chafariz onde as crianças brincavam alegremente, próximo aos feirantes um velho senhor também passava horas do dia alimentando os pombos, enquanto outros anciãos ficavam disputando eternas partidas de jogo do ossossauro aos gritos e palavrões.
Naquela cidade não existia paróquia, entretanto o repouso espiritual para as boas almas de Ieravan encontrava-se no mosteiro das freiras cegas, surdas e mudas. Na verdade elas não falavam muito, o que é obvio, mas simplesmente o fato de ficarem circulando nas pastagens do frei Johan sem colidir com nenhuma arvore, ou mesmo tropeçar em alguma pedra, já transbordava de paz todas as pessoas que por ali passavam para assisti-las.
O frei como sempre estava muito atribulado, e toda a confusão do dia anterior não o desviara de suas obrigações matinais. Novamente ele saiu bem cedo para conduzir suas ovelhinhas aos altos cumes onde lhes aplicaria os diversos exercícios antes do desjejum diário. Elas saltavam pedras e riachos sempre fortalecendo suas poderosas pernas em direção ao alto do monte, isto se repetia quarenta vezes ao dia, garantindo uma carne livre de gorduras e extremamente nutritiva.
Após cuidar dos ovinos, o Frei dedicava-se ao outro trabalho difícil, conduzir as pobres freiras deficientes para os galpões onde passariam o resto do dia pisoteando sobre uvas especialmente colhidas pelas jovens moças de Ieravan. Muitos já haviam questionado se aquele ato não seria uma exploração devido à condição das sessenta freiras que ali viviam. Ao que Johan sempre dizia sabiamente que aquilo era a contribuição delas a todos os freis das mais longínquas regiões que em seus sermões ofereciam aquela bebida sacra como o sangue do deus-filho. Sábio Johan que além de enviar muitos barris da suculenta bebida para as ordens da Europa, também comercializava com alguns senhores feudais a bebida para que assim pudesse sustentar as doces irmãs que ali viviam indicando que o néctar possuía propriedades medicinais e afrodisíacas.
Dentre as moças de Ieravan que ajudavam o dedicado frei, duas delas sempre destacaram-se em bondade e apreço aos bons feitos de Johan. Eram as belas, jovens e meigas irmãs de “La Rosa”. As duas meninas-moças eram de uma família humilde daquela região e curiosamente tinham nascido no mesmo dia, embora em anos diferentes. Este fato despertou a atenção de Johan, especialmente por este dia tratar-se da data que os cristãos comemoravam o nascimento do seu salvador.
Mesmo Ieravan localizando-se no território cujas crenças remetiam a deuses pagãos e divindades vikings, aquela cidade mantinha alguns costumes católicos devido a sua povoação ter originado das terras da velha Espanha onde o cristianismo predominava.
Johan havia escolhido as irmãs como suas principais assistentes e assim passavam horas juntos na lida com as freiras e em diversas outras ações sociais para com os pobres e mendigos escoceses que frequentemente perambulavam pelas cidades da Velha Escandinávia.
Naquela manhã, o herculóide ser de músculos estava repousando sob a sombra de uma arvore, quando avistou as doces jovens se aproximarem de forma exasperada. Elas pularam a cerca e correram em direção a Johan que deitado lhes disse:
- Por que vós correis dessa forma?
- Oh bom Johan. – Disse a mais velha. - Não sabes o que está acontecendo em nossa cidade?
- O que está ocorrendo jovem?
- Ai Johan, dizem que aquele libertino filho do pobre Aririus está formando um exercito de gigantes para guerrearem em nossa cidade! – Bradou apavorada a irmã mais jovem e impressionada.
- A é isso é? – Disse Johan menosprezando o assunto. – Não deveis importarem-se com tamanhas falácias minhas queridas...
- Mas como frei! Dizem que um forasteiro que está com eles tem quase 3 metros de altura e que ainda derrotou o bravo Ederus e arrancou a cabeça daquele africano maravilhoso, ops quero dizer poderoso que o acompanha! – Disse a irmã mais velha já se abanando pelo calor que ali estava.
- E ainda falaram que ele esteve aqui e insultou o senhor! Meu Deus, que horror, viemos assim que soubemos de tudo para ver como estavas padrinho!
Johan levantou-se irritado e fitou-as seriamente dizendo:
- Quero que saibam que esse homem de 3 metros não chega a um metro e meio, e quanto a Ederus e Motambo, posso lhes garantir que estão bem e gozando de muita saúde.
- Mas...mas... – Tentaram argumentar as moças.
- Chega! – Disse Johan severamente. Quero que as duas moças deixem de vez de dar ouvidos as historias que o povo conta! Esses homens que falam estão em Ieravam para proteger nossa terra!
- Mas proteger do que? – Disse Fabinne, a irmã mais velha.
- Que tipo de perigo estamos correndo padrinho? – Disse Carolinne, a irmã mais nova.
- Nada que vocês duas precisem se preocupar! Garanto que nada de mal vai ocorrer!
- E a tal da bruxa? Ouvimos por ai que uma velha bruxa horrorosa está com eles! Nossa será que eles farão rituais satânicos por aqui? Ah meu deus!
- Nada disso! – Disse Johan sorrindo. – Se bem que tem uma jovem com eles que bem poderia ser uma dessas Wicca que andam por aí, mas duvido muito que esta seja a intenção deles! De qualquer forma essa mulherzinha é estranha e devo observá-la melhor!
- Johan! Algo está para acontecer à Ieravan?
- Na verdade eles acreditam que seremos atacados por Badslov, mas duvido que isto ocorra! Fiquem tranqüilas!
- Oh bom frei, se tu dizes para que não nos preocupemos com nada, então ficaremos em paz!
- Assim espero! Mas se vocês perceberem que há alguma coisa errada no ar, por favor avisem-me para que possamos providenciar algo! Afinal como diziam os luso-africanos, “Seguro morreu o velho!”, ou seria “Os velhos morrem seguros!”, bom não vem ao caso, vamos trabalhar! As freiras estão especialmente agitadas hoje e já quebraram dois vasos dentro da casa!
- Sim padrinho! Vamos Fabinne, vamos lá arrumá-las para a lida!
- Sim, vá na frente! Quero falar com Johan mais um pouco...
Naquele momento a inocente Carolinne saiu saltitante em direção ao mosteiro enquanto Fabinne aproximou-se de Johan e disse:
- Meu amigo! Tem mais alguma coisa que está te incomodando? Sinto uma tristeza em vosso olhar!
- Não minha querida! Está tudo certo, pode ir com a sua irmã...
Fabinne saiu então na direção de Carolinne enquanto Johan observava as nuvens escuras que formavam-se na floresta, poderiam aqueles jovens estarem certos quanto ao perigo? O frei então seguiu o seu caminho para dentro do galpão procurando não pensar mais no assunto.
3 comentários:
novamente venho salientar que os traços femininos são demasiadamente complicados para o meu lado direito do cerebro, huhuhhuuhh
(nada pessoal)
Morte às irmãs!!!!!!!!
Pensarei a respeito! Mas é pro frei gostar delas viu!
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