quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Badslov O Retorno (Capítulo XXXVI)

Capítulo XXXVI - O sonho de Ellis

Enquanto dirigia-se para sua humilde casa Ederus pensava na conversa que tivera com Ellis há alguns dias atrás ao retornar de sua grande jornada ao paises quentes do Oriente.
... Por que Ederus? Por que vives esta vida de batalhas? Percebes como sofro com tamanha angustia? – Disse Ellis em uma discussão tensa com seu amado.
- Sim mulher! Vejo que isso não te traz felicidade! Mas pense nos povos que libertamos!
- Excelente Ederus! Salvas o mundo e perdes tua família! Não percebes que isto está matando-me!
O guerreiro silenciou-se, jamais imaginara ouvir palavras tão dolorosas da sua amada esposa de lindos olhos claros que cativaram o bravo guerreiro com sua ternura. Ederus vivia esse conflito interior e esperava convencer a esposa de que suas jornadas eram necessárias dizendo:
- Não te lembras quando salvei a tribo de Motambo? Lembra-te das coisas terríveis que o sheik Mohamed Al Chared Al Charif Al Bakir fazia aos pobres homens de Zuarrille?
- Eu sei Ederus, e até isso me chateia! Motambo é um bom rapaz, mas precisavas trazer ele junto contigo?
- Querida! Sabes bem que Motambo me acompanha porque assim o deseja! Além disso, é um grande aliado e valoroso guerreiro!
- Está certo! Mas ele precisa realmente dormir algumas noites dentro do nosso aposento aos pés de nosso leito? Isso é demais Ederus!
- Já te expliquei que é uma tradição Zuarrille! Ele faz isso para retribuir aos deuses dele! Além do mais ocorre somente nas noites de lua cheia! Que mal vês nisto?
- Nenhum Ederus! Só peça a ele que não fique orando naquele idioma esquisito! Está certo!
Naquele momento o guerreiro aproximou-se da amada que tinha lhe dado as costas e tocou na pele macia e delicada de Ellis, a moça sentiu um arrepio e fechou os olhos sem que Ederus percebesse enquanto o guerreiro proferiu:
- Minha amada! Juro-te que não te deixarei mais em nome de guerras e batalhas pelo mundo! Daqui em diante estarei sempre ao vosso lado!
Ellis começou a chorar naquela hora e o seu pranto deixou um soluço de desabafo escapar virando-se para Ederus e o abraçando fortemente dizendo:
- Finalmente! Sonhei com este dia durante todos esses anos! Eu te amo meu amado!
- Eu também minha querida! – Beijando sua amada.
De repente Ederus retornou ao momento em que se aproximava de casa ao lado de Motambo. Como poderia ele quebrar o juramento que fizera a Ellis? Ao mesmo tempo pensava que a própria felicidade dos dois dependia dessa batalha! Não adiantava fugir. De alguma forma Ederus teria que lutar apenas mais uma batalha para proteger todo o seu povo desta vez.
- Buana! Motambo sair pra caçar Javali! Motambo trazer pra Moça da Pele de Leite cozinhar!
- Está certo caro amigo! Mas não chame Ellis assim! Expliquei-te que ela não gosta!
- Sim Buana! Mim esquecer! Mim trazer pra ela!
Motambo saiu então com uma lança em direção ao mato próximo do vilarejo. Certamente naquela noite eles teriam uma farta refeição, entretanto esse era o menor dos seus problemas.
O guerreiro entrou na sua casa e como de costume foi alvejado por um maravilhoso perfume de flores colhidas cuidadosamente por Ellis naquela tarde. Ele foi percorrendo o recinto até visualizá-la na cozinha fervendo água para preparar um tipo de bebida de um composto de ervas. Era uma tradição naquele lugar adicionarem água fervida em uma cumbuca de porongo que era recheada por estas ervas cultivadas pelo nobre sábio da montanha e sugadas através de canudos feitos do mais nobre aço espanhol.
A moça, ao perceber que seu esposo estava em casa, correu para abraçar-lhe. Ederus percebia que ela estava muito mais feliz desde que fizera o juramento e até tentou disfarçar sua emitente preocupação, mas foi em vão.
Ellis olhou nos olhos do guerreiro e perguntou-lhe:
- Ederus! Porque esta face sorumbática? Por que está tão taciturno?
- Senta-te aqui nesta cadeira! Devo contar-lhe tudo que está para acontecer!
- Diga Ederus! Estou ficando aflita!
- Calma! Tudo começou quando encontrei um sujeito próximo ao mosteiro...
Então o guerreiro descreveu em detalhes os últimos acontecimentos onde conheceu Capella e recebeu a preocupante notícia de Pepper sobre a possível invasão a Ieravan. Ellis ouvira tudo atentamente até que seu amado concluiu:
- Eis que aqui estou te contando tudo! E digo-te mais! Terás que deixar Ieravan e refugiar-se até que o confronto ocorra!
- Como assim terei que deixar? Nós deixaremos Ederus! Nós!
O guerreiro baixou os olhos e suspirou profundamente sentado ao lado da jovem, Ellis que até então não compreendera, concluiu rapidamente o que o marido tentava lhe dizer e proferiu:
- Ederus! Tu me juraste que não mais se envolveria nesse tipo de coisa!
- Ellis! Sei de meu juramento! Mas também sei que o que está em jogo é nossa terra e nosso povo!
- Deixe para que os outros guerreiros-do-não-sei-o-quê resolvam isso! Parta comigo meu amor!
- Lis! Se assim desejas, honrarei meu juramento! Mas deixe-me te dizer uma coisa: um homem que foge a sua obrigação sagrada para com o seu povo, não é digno nem mesmo de sua família!
- Mas, mas... – tentou argumentar Ellis, enquanto Ederus prosseguia o discurso.
- Sempre segui caminhos que me conduziram a salvação de povos desconhecidos! Agora tu me pedes que em nome de um juramento, deixe para trás meu próprio povo! Meus amigos! Este é o homem que desejas ao teu lado? Este é aquele que encherá nossa casa de herdeiros? Como encarar um filho nos olhos e dizer-lhe que é escravo hoje pela omissão de seu pai no passado!
Naquele instante uma lágrima solitária percorreu a face do guerreiro. A sua esposa também chorava muito e as últimas palavras tinham despertado nela sentimentos há muito esquecidos e que ligavam aos motivos pelos quais se apaixonara por Ederus. Sua honra, hombridade e bravura. Essas características não só o engrandeciam como também lhe definiam plenamente. Ellis tocou a face do marido e disse:
- Se vossa presença nessa batalha é tão decisiva para que nosso povo tenha salvação, então não será a minha vontade que te impedirá! Lute bravamente meu amor!
Naquele momento os dois beijaram-se em meio a sala iluminada apenas pelos últimos raios de sol que invadiam a janela da cozinha. Quando a paixão tomava conta dos dois jovens, Motambo abruptamente entrou esbarrando na porta e derrubando boa parte dos vasos que se encontravam em uma jardineira. Ele carregava um imenso javali nas costas e pingava sangue sujando todo o piso. Os dois pararam desajeitados, o guerreiro africano sorriu mostrando seus dentes branquíssimos e disse:
- Motambo trazer comida pra moça cor de leite!
Ederus e Ellis se entreolharam e começaram a rir em voz alta deixando Motambo sem compreender nada que ocorrera. Assim o sol se pôs lentamente nas terras de Ieravan anunciando que a paz duradoura tinha seus dias contados.



8 comentários:

Anônimo disse...

É nisso que dá folgar no escritor!!
Muito engraçado!!!
O desenho da Lisi ficou muito bom,
Parabéns Pimenta!!!

Anônimo disse...

HAHAHAHAHA
Com isso acredito que ninguém mais vai comentar algo sobre a estatura do capella, né?

Caro escritor, apenas um pedido!
Menos MEL, mais guerra please!
Este suspense me mata!

Fabio Capella disse...

Heheheh! Só um detalhe, esse capitulo está escrito há mais de um mês. Podem questionar o Pepper sobre isso. O que comprova que não foi em represália as folgações recentes quanto a minha estatura, eu folgo em vocês bem antes e não fico mudando o texto! Heheheheh
Gostaram né? Me puxei no lance do Motambo dormir nos pés da cama! Sem contar o suspense sobre o que o Cheik Mohamed BabaHananana fazia com os "pobres" homens de Zuarille, heheheh!

Anônimo disse...

Pior que ficou muito engraçado mesmo!!!
hehehehehe!!!
sabia que ia sobrar pra mim!!!

Anônimo disse...

o Motambo é um verdadeiro "empata f..."

PIMENTA

Lisi disse...

O desenho ficou show. Parabéns Pi.
Capella o capítulo tá bem legal, não fosse a parte do Motambo e a cor de leite né... Hahaha....
Bjos

Anônimo disse...

Até tu Pimenta!!!

Anônimo disse...

desculpe Motambo, mas naum tem outro nome pra esta tua "tradição"
Bem feito pro Ederus, quem mandou te salvar, te garanto que em algumas vezes ele já deve ter pensado em te decapitar... se ele naum pensou, a Ellis pensou...

abç

Pimenta