Capítulo XLII – Um Erro Fatal
Eram várias as frentes de trabalho na pacata cidade de Ieravan. Todo o povo estava unido em prol de um único objetivo. Sobrevivência!
Após a emocionante chamada dos Guerreiros da Virtude ao povo, mutirões abriram várias frentes. Algumas pessoas lideradas por Dan, Frodo, Kamily e Lucienne estavam organizando as carroças que partiriam do condado levando as crianças, mulheres e os idosos. Enquanto isso, Ederus e Motambo providenciavam armamento apropriado aos homens que defenderiam a cidade, era uma tarefa difícil treinar em tão poucas horas aqueles pobres homens acostumados com o plantio de abóboras.
Christine, Nenain, Aririus e Ellis estavam convocando todas as pessoas e preparando os mantimentos e ervas medicinais para a viajem até o refúgio.
Durante séculos esse local existiu somente por existir, trata-se de um ponto no meio da floresta, muito próximo aos limites de Ieravan e protegido pelas montanhas e árvores centenárias. A água seria garantida por um moinho que armazenava o liquido em gigantescos tanques de carvalho. Um grande galpão protegeria as pessoas das intempéries e de possíveis ataques que eventualmente lhes alcançariam.
Enquanto isso, Capella e Pepper tinham subido ao alto da montanha para observar aquela que seria a visão das tropas malditas de Scottuns. Capella apontou para baixo e disse ao sábio:
- Achas mesmo que o centro da cidade será o alvo?
- Penso que sim caro amigo! Que ponto seria mais interessante ser dominado quando se busca dominar uma nova terra?
- Verdade! Nesse caso acredito que estaremos em desvantagem, já que o inimigo atacará de um ponto privilegiado! Como vamos repelir?
- Humm! – Disse o sábio coçando sua barba rala. – O que achas se fizéssemos alguns espantalhos imitando as pessoas e colocássemos próximos ao centro da cidade. Os mamelucos poderiam atacar esse ponto e nós sairíamos de locais periféricos fechando todas as saídas e os enfrentando totalmente encurralados!
- Nossa! Isso poderia dar certo! Eles correm até o centro! Chegarão cansados da descida, em seguida se depararão com esses bonecos e ficarão confusos...
- Exato! Antes mesmo de perceberem o que os confundiu nós poderemos sair dos pontos periféricos e atacá-los sem chance de resposta!
- Grande Pepper! Por isso é que tenho a certeza que tu és o Guerreiro da Sabedoria! È muito bom tê-lo ao nosso lado! – Disse Capella.
- Obrigado! É uma honra ser digno de um título tão nobre quanto este!
Capella então se voltou mais para o leste e percebeu um ponto um pouco mais afastado, mas que eles não tinham percebido.
- Pepper! O que faremos com o mosteiro? – Disse o guerreiro da justiça.
- Nosso amigo Johan não quer envolver-se! Entretanto creio que devemos alertá-lo para que parta juntamente com as mulheres. Devemos remover as freiras junto com o povo.
- Faremos o seguinte. Irei até lá e os avisarei, afinal o tempo está se esgotando e creio que as tropas de Badslov deverão montar acampamento logo mais à noite!
- Perfeito! Eu me encarregarei de reunir nossos amigos e começaremos a montar os bonecos com palha! Falarei com Ederus para confirmar se nossa estratégia está correta!
- Certo! Vamos então.
Os guerreiros desceram o monte em seus cavalos em direções opostas. Passava do meio-dia e o sol indicava que aquela tarde seria muito quente e de calor castigante. Nossos heróis tinham muito trabalho pela frente e o tempo não era algo a desperdiçar.
Ao aproximar-se do belo mosteiro que estivera na tarde anterior, Capella pensou um pouco antes de pular novamente a cerca e invadir aquele sacro local. Pensou também que uma melhor idéia teria sido o Pepper trazer esse recado, já que ele não gozava muito da confiança do frei. Agora já era tarde e Capella já se encontrava próximo a grande casa.
Ele olhou em volta e não percebeu nada, realmente aquele lugar trazia muita paz espiritual, sobretudo pelo silêncio que ali reinava. Pensou em gritar pelo frei quando uma voz feminina o interveio. Capella olhou para trás e deparou-se com uma bela jovem de cabelos claros e sorriso encantador que lhe disse:
- Quem pensas que sois para invadir assim as terras sagradas de meu padrinho?
- Desculpe-me donzela! Meu nome é Capella e vim aqui para...
- Não diga mais nada! Você é o tal profano que está em nossa terra causando pânico... – Ralhou Carolinne.
- Isso não é verdade! Deixe-me explicar... – Tentou argumentar nosso herói.
- Não quero que você incomode mais o meu padrinho! Está claro! Ele já sofreu demais nessa vida!
- Eu entendo moça! Mas preciso falar com Johan, é importante! – Disse Capella já preocupado.
Carolinne pensou um pouco nas palavras de Johan mais cedo e decidiu que esses assuntos bélicos não deveriam mais chateá-lo. Então tomou uma decisão com conseqüências trágicas:
- Johan disse que não queria mais recebê-lo! Transmita vossa mensagem para mim e deixe que eu a repasse ao frei! – Disse Carolinne de forma decidida.
Capella não tinha alternativa senão fazer assim mesmo, ele sabia que o frei certamente entenderia que o melhor seria partir de Ieravan, até mesmo porque ele jamais arriscaria as pobres freiras indefesas. O Guerreiro da Justiça decidiu então confiar à Carolinne a mensagem que seria vital para proteção das freiras.
- Está certo moça! Dir-te-ei então...
Após contar tudo o que se passara e sobre os preparativos para a grande batalha, Capella despediu-se da moça com a promessa de que eles iriam sair de Ieravan e encontrar-se com o resto do povo no refúgio assim que as orações do dia fossem concluídas.
Carolinne ficou muito preocupada com tudo que lhe foi dito e enquanto assistia a poeira do galope de Capella espalhar-se pelo ar, foi surpreendida pela sua irmã mais velha Fabinne que perguntou:
- O que aquele homem misterioso estava fazendo contigo Carolinne?
- Ah! Oi Fabinne! Ele é o tal sujeito gigante que está agitando a cidade!
- Nossa! Mas ele é muito nanico! Johan tem razão. Não podemos nos impressionar com tudo que ouvimos! Quanta bobagem.
- Pois é! – Disse Carolinne, pensando que assim como era exagero a altura do moço, provavelmente toda aquela história de deixar Ieravan também seria.
Em sua mente inocente Carolinne pensou e decidiu que não deveria falar nada daquilo para Johan, pois ele já tinha se aborrecido antes e não queria ser repreendida mais uma vez.
- Diga Carol! O que ele queria convosco?
- Ah nada não Fabinne! Ele queria vinho para uma festa que farão essa noite!
- Humm, por isso que tem tanta gente recolhendo feno e palha aqui perto! Devem fazer alguma fogueira e passarão a noite toda bebendo! Sabia que esse libertino do Frodo voltaria da Espanha cheio de idéias pagãs!
- É deve ser isso mesmo! – Disse Carolinne com um ar de que estava escondendo algo.
- Querida! É melhor passarmos a noite aqui no mosteiro mesmo! Esses sujeitos podem ficar perigosos se beberem demais! Falarei com Johan e ficaremos para ajudá-lo a lavar os pés das freirinhas!
- Tudo bem minha irmã! Que assim seja.
Eram várias as frentes de trabalho na pacata cidade de Ieravan. Todo o povo estava unido em prol de um único objetivo. Sobrevivência!
Após a emocionante chamada dos Guerreiros da Virtude ao povo, mutirões abriram várias frentes. Algumas pessoas lideradas por Dan, Frodo, Kamily e Lucienne estavam organizando as carroças que partiriam do condado levando as crianças, mulheres e os idosos. Enquanto isso, Ederus e Motambo providenciavam armamento apropriado aos homens que defenderiam a cidade, era uma tarefa difícil treinar em tão poucas horas aqueles pobres homens acostumados com o plantio de abóboras.
Christine, Nenain, Aririus e Ellis estavam convocando todas as pessoas e preparando os mantimentos e ervas medicinais para a viajem até o refúgio.
Durante séculos esse local existiu somente por existir, trata-se de um ponto no meio da floresta, muito próximo aos limites de Ieravan e protegido pelas montanhas e árvores centenárias. A água seria garantida por um moinho que armazenava o liquido em gigantescos tanques de carvalho. Um grande galpão protegeria as pessoas das intempéries e de possíveis ataques que eventualmente lhes alcançariam.
Enquanto isso, Capella e Pepper tinham subido ao alto da montanha para observar aquela que seria a visão das tropas malditas de Scottuns. Capella apontou para baixo e disse ao sábio:
- Achas mesmo que o centro da cidade será o alvo?
- Penso que sim caro amigo! Que ponto seria mais interessante ser dominado quando se busca dominar uma nova terra?
- Verdade! Nesse caso acredito que estaremos em desvantagem, já que o inimigo atacará de um ponto privilegiado! Como vamos repelir?
- Humm! – Disse o sábio coçando sua barba rala. – O que achas se fizéssemos alguns espantalhos imitando as pessoas e colocássemos próximos ao centro da cidade. Os mamelucos poderiam atacar esse ponto e nós sairíamos de locais periféricos fechando todas as saídas e os enfrentando totalmente encurralados!
- Nossa! Isso poderia dar certo! Eles correm até o centro! Chegarão cansados da descida, em seguida se depararão com esses bonecos e ficarão confusos...
- Exato! Antes mesmo de perceberem o que os confundiu nós poderemos sair dos pontos periféricos e atacá-los sem chance de resposta!
- Grande Pepper! Por isso é que tenho a certeza que tu és o Guerreiro da Sabedoria! È muito bom tê-lo ao nosso lado! – Disse Capella.
- Obrigado! É uma honra ser digno de um título tão nobre quanto este!
Capella então se voltou mais para o leste e percebeu um ponto um pouco mais afastado, mas que eles não tinham percebido.
- Pepper! O que faremos com o mosteiro? – Disse o guerreiro da justiça.
- Nosso amigo Johan não quer envolver-se! Entretanto creio que devemos alertá-lo para que parta juntamente com as mulheres. Devemos remover as freiras junto com o povo.
- Faremos o seguinte. Irei até lá e os avisarei, afinal o tempo está se esgotando e creio que as tropas de Badslov deverão montar acampamento logo mais à noite!
- Perfeito! Eu me encarregarei de reunir nossos amigos e começaremos a montar os bonecos com palha! Falarei com Ederus para confirmar se nossa estratégia está correta!
- Certo! Vamos então.
Os guerreiros desceram o monte em seus cavalos em direções opostas. Passava do meio-dia e o sol indicava que aquela tarde seria muito quente e de calor castigante. Nossos heróis tinham muito trabalho pela frente e o tempo não era algo a desperdiçar.
Ao aproximar-se do belo mosteiro que estivera na tarde anterior, Capella pensou um pouco antes de pular novamente a cerca e invadir aquele sacro local. Pensou também que uma melhor idéia teria sido o Pepper trazer esse recado, já que ele não gozava muito da confiança do frei. Agora já era tarde e Capella já se encontrava próximo a grande casa.
Ele olhou em volta e não percebeu nada, realmente aquele lugar trazia muita paz espiritual, sobretudo pelo silêncio que ali reinava. Pensou em gritar pelo frei quando uma voz feminina o interveio. Capella olhou para trás e deparou-se com uma bela jovem de cabelos claros e sorriso encantador que lhe disse:
- Quem pensas que sois para invadir assim as terras sagradas de meu padrinho?
- Desculpe-me donzela! Meu nome é Capella e vim aqui para...
- Não diga mais nada! Você é o tal profano que está em nossa terra causando pânico... – Ralhou Carolinne.
- Isso não é verdade! Deixe-me explicar... – Tentou argumentar nosso herói.
- Não quero que você incomode mais o meu padrinho! Está claro! Ele já sofreu demais nessa vida!
- Eu entendo moça! Mas preciso falar com Johan, é importante! – Disse Capella já preocupado.
Carolinne pensou um pouco nas palavras de Johan mais cedo e decidiu que esses assuntos bélicos não deveriam mais chateá-lo. Então tomou uma decisão com conseqüências trágicas:
- Johan disse que não queria mais recebê-lo! Transmita vossa mensagem para mim e deixe que eu a repasse ao frei! – Disse Carolinne de forma decidida.
Capella não tinha alternativa senão fazer assim mesmo, ele sabia que o frei certamente entenderia que o melhor seria partir de Ieravan, até mesmo porque ele jamais arriscaria as pobres freiras indefesas. O Guerreiro da Justiça decidiu então confiar à Carolinne a mensagem que seria vital para proteção das freiras.
- Está certo moça! Dir-te-ei então...
Após contar tudo o que se passara e sobre os preparativos para a grande batalha, Capella despediu-se da moça com a promessa de que eles iriam sair de Ieravan e encontrar-se com o resto do povo no refúgio assim que as orações do dia fossem concluídas.
Carolinne ficou muito preocupada com tudo que lhe foi dito e enquanto assistia a poeira do galope de Capella espalhar-se pelo ar, foi surpreendida pela sua irmã mais velha Fabinne que perguntou:
- O que aquele homem misterioso estava fazendo contigo Carolinne?
- Ah! Oi Fabinne! Ele é o tal sujeito gigante que está agitando a cidade!
- Nossa! Mas ele é muito nanico! Johan tem razão. Não podemos nos impressionar com tudo que ouvimos! Quanta bobagem.
- Pois é! – Disse Carolinne, pensando que assim como era exagero a altura do moço, provavelmente toda aquela história de deixar Ieravan também seria.
Em sua mente inocente Carolinne pensou e decidiu que não deveria falar nada daquilo para Johan, pois ele já tinha se aborrecido antes e não queria ser repreendida mais uma vez.
- Diga Carol! O que ele queria convosco?
- Ah nada não Fabinne! Ele queria vinho para uma festa que farão essa noite!
- Humm, por isso que tem tanta gente recolhendo feno e palha aqui perto! Devem fazer alguma fogueira e passarão a noite toda bebendo! Sabia que esse libertino do Frodo voltaria da Espanha cheio de idéias pagãs!
- É deve ser isso mesmo! – Disse Carolinne com um ar de que estava escondendo algo.
- Querida! É melhor passarmos a noite aqui no mosteiro mesmo! Esses sujeitos podem ficar perigosos se beberem demais! Falarei com Johan e ficaremos para ajudá-lo a lavar os pés das freirinhas!
- Tudo bem minha irmã! Que assim seja.
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