Capítulo II – Por que os cães dormem?Do alto da mais alta colina, onde nem mesmo os pássaros ousam revoar devido ao ar rarefeito, em uma região próspera do Norte do velho mundo, mais precisamente às margens do rio Alberich cujos pés eram tocados por um belo e romântico povoado conhecido como Ieravan, erguia-se solene e magistralmente as tendas do exercito maligno de Badslov.
Já haviam se passado dois dias desde que a tropa de seres infernais e bestas apocalípticas tinham chegado ao local e daquele momento em diante, o terrível e pragmático general das terríveis tropas tinha colocado em prática seu maquiavélico cronograma de cerco a povos que serão dominados.
No final da segunda noite, após varias demonstrações do seu poderio bélico, com o intuito de apenas intimidar seu futuro povoado, o maldito ser das trevas estava a repousar em sua tenda principal apenas à luz de um pequeno fogareiro e empunhando não a espada, mas uma pena umedecida em um pigmento avermelhado que poderia facilmente ser confundido com tinta caso seu odor não indicasse precisamente que se tratava de sangue humano coagulado!
“.... 28° Decano de Marte – Segunda noite do cerco...
Sigo aqui em minhas noites insones na eterna busca daquelas que seriam as respostas para minha mente torpe e angustiada.
Penso também que muito embora tenha desejado dominar e escravizar esse maldito lugar que chamam de Ieravan, hoje percebo que seus estúpidos soldados em nada se diferem em inteligência aos meus imbecis e indolentes mamelucos.
Como ousam! Por Mephistofelis! Malditos acreditam que o senhor das terríveis hordas cairia em uma armadilha tão básica! Seriam tão estúpidos a ponto de colocar fantoches imitando pessoas e desta forma confundir meu ataque supremo, não fosse o cronograma do Bom livro, não teria tido tempo de perceber esse frágil engodo!
De qualquer sorte amanhã, seguindo o cronograma do Bom Livro, deverei desferir o primeiro ataque! Mas enganam-se os tolos que perderei meu tempo e contingente invadindo sua cidade quando esta cabeça que se encontra sobre este corpo corre perigo em caso de falha!
Seguirei como planejado e atacarei com todo meu poderio o maldito mosteiro, mas não sem antes esmagar alguns pés das malditas abóboras...”
De repente adentrou correndo a tenda o jovem aprendiz de lacaio, Tenente Kovalski, que visivelmente encontrava-se aflito gritando:
- Mestre! Mestre! Temos uma emergência!!!!!!!
Scottuns assustou-se com tamanha insolência e fechou seu diário de súbito e levantou-se já sacando sua maldita espada forjada nas vulcânicas ilhas de Java.
O general de Badslov ergueu sua lamina e gritou:
- Que venham logo! Acabarei com todos aqueles que tentarem me impedir!
E já estava golpeando o ar quando Kovalski parou diante dele e disse:
- Não meu senhor! Não há ninguém nos atacando!
- Mas como? Tu ousaste me interromper e não estamos sobre ataque! Pagarás com sua vida seu maldito bastardo!
- Espere! Meu senhor! A noticia que trago é muito preocupante! Merece vossa atenção!
Scottuns deteve seus músculos enrijecidos que já se pronunciavam em direção ao pescoço do pobre aspirante. O maligno ser guardou sua espada e com ar de superioridade disse:
- Permitirei que tu vivas mais uma vez! Mas seja breve pois o sono do general deve ser no horário definido pelo bom livro e esta recomendação jamais ouso ignorar!
- Senhor! São os cães! Eles estão bem, mas percebo que estão ficando sonolentos!
- O que há de errado seu imbecil, afinal de contas a lua está alta e os animais devem se recolher!
- Sim mestre! Mas nunca vi algo assim antes! Dois deles estavam devorando uns mamelucos que tinham se descuidado! Quando de repente dormiram com os pobres ainda sendo devorados! Uma cena horrível!
- Maldição! Isso é um mau sinal! Será que está chegando a hora?
- Porque meu senhor? O tu sabes sobre isso?
- Não sei ao certo, mas se nossos astrônomos não tivessem sido devorados pelos próprios caninos, talvez eu também o soubesse!
Kovalski fez uma expressão de total desconhecimento dos fatos, enquanto isso, Scottuns coçava sua barba fedorenta e continuava divagando:
- Maldita peça do destino! Kovalski, prepare os cachorrossauros, nosso ataque será logo que o sol raiar e os malditos galos de Ieravan cantarem!
- Sim senhor! Mas...mas...
- Nada de mas! – Gritou scottuns arremessando o jovem tenente em direção a saída da tenda. – Agora me deixe em paz! Devo pensar em contornar essa situação!
- Sim senhor! Agora mesmo! – Disse o pobre rebento que partiu sem entender realmente o que ocorrera.
Scottuns sentou-se novamente próximo as chamas e abriu seu Diário e enquanto escrevia, teve seus pensamentos tomados por uma dúvida cruel que tratou de reproduzir em seus alfarrábios:
- Por Thanatos! Só pode ser a maldita hibernação! Se eles começaram a ficar sonolentos é porque em duas luas cairão no sono profundo! Espero que eles tenham o desempenho esperado amanhã ou eu mesmo os colocarei no sono eterno! Ahaha!
Enquanto gargalhava insanamente, Richard Scottuns permaneceu escrevendo em seu diário até que as luzes das lamparinas extinguiram-se por completo naquela noite.
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