domingo, 6 de abril de 2008

Badslov - Volume II (Capítulo III)

Capitulo III – O cerco

O velho condado de Ieravan sobreviveu a diversas intempéries ao longo de suas décadas desde a colonização espanhola que originou aquele magnífico e prospero lugar até o momento que se anunciava de forma sombria e satânica como sendo a pior de todas as provações divinas.
Nem sempre tudo foi fácil para aquele povo, os primeiros habitantes passaram por diversas adversidades enfrentando os malignos lobos do rabo preto que viviam naquelas montanhas e os ataques dos esfomeados urubus gigantes que foram os primeiros moradores do monte que eternizou sua linhagem.
Sangue, suor e lágrimas fizeram parte dos primeiros anos vivendo naquele lugar, e quando já se estabelecera a tranqüilidade, vieram os ataques das hordas de Asgard que tentaram dominar aquelas terras lideradas pelos ancestrais de Kelly e Fabian, muito antes da rainha Lecyh declarar paz a todos os povos e iniciar seu reinado próspero e harmonioso.
Houve também as pragas de formigas antílope que devoraram centenas de plantações de abóboras nanicas levando Ieravan a uma recessão que durou quatro longos anos onde um governo totalmente manchado pela corrupção comprou a voz do povo e distribuiu créditos a uma pequena parcela da população que os mantinha no poder.
Foi a geração do Grande Aririus que conseguiu limpar seu povo banindo estes miseráveis para muito longe dali em um continente novo que surgira a oeste e cujos povos lusos vinham colonizando já há algum tempo.
A partir daí Ieravan tornou-se um lugar espetacular, repleto de justiça e prosperidade. Nenhuma guerra tivera sido declarada e nenhum jovem guerreiro perdera sua vida defendendo-se ou atacando. O lugar era conhecido como uma terra neutra entre tantas outras que tinham nas barbáries suas maiores glorias.
Tudo até aqui foi assim, entretanto uma noite sombria de Outono estava anunciando que tudo aquilo poderia ruir a qualquer momento. A lua estava obscurecida pelas névoas que vinham da Escandinávia Média. Gemidos fúnebres pareciam ecoar pelas plantações de abóboras se misturando aos uivos das terríveis bestas apocalípticas que pareciam mais sonolentas do que o normal, criando um ar mais arrepiante em seus grunhidos diabólicos.
No centro da pequena cidade, bonecos feitos com palha espalhavam-se nos mais diversos pontos como se fossem eles os únicos habitantes de uma cidadela abandonada. Escuridão, e sombras habitavam as belíssimas casas em estilo arcádico, e o bom sono dos justos tinha dado lugar a angustia daqueles que nestas mesmas sombras ocultavam-se em alguns pontos estratégicos.
Fazia dois dias que o cerco se estabelecera, desde então, apenas os homens capazes de lutar aguardavam ansiosamente nas sombras enquanto observavam toda a movimentação do ritual pré-batalha épica que Scottuns adorava encenar.
Dentre esse pequeno grupo de bravos guerreiros, alguns eram especiais e se destacavam em suas habilidades. Estes homens valorosos eram Guerreiros da Virtude e embora não tivessem isso muito claro em suas mentes, carregavam consigo a responsabilidade e o dever de salvar toda a raça humana das terríveis presas de Badslov.
Naquela noite, especificamente, enquanto Scottuns delirava sobre seu horrendo diário, Capella e Ederus revisavam quais seriam as estratégias de defesa que usariam, quando de repente Motambo aproximou-se correndo e disse:
- Buana! Buana! Algo acontecendo! Movimento estranho na montanha!
Os heróis correram na direção do monte e juntaram-se a Pepper, Frodo e Dan que já estavam ali observando a estranha correria nas tropas de mamelucos.
- Eles estão preparando as jaulas dos cachorrossauros? – Disse Frodo quando percebeu a chegada dos amigos.
- Finalmente eles atacarão! – Resmungou Dan soqueando uma mão na outra.
- Pelo jeito amanhã teremos ação, meus amigos! Preparem seus espíritos pois a batalha começará! – Refletiu Pepper sabiamente.
- Estava cansado desta cerimônia toda! Achei que eles chegariam atacando! Será que perceberam nosso embuste? – Perguntou Capella ao Guerreiro Ederus.
- Temo que sim! Nossa sorte depende do tamanho da estupidez dos mamelucos!
- Nesse caso estaremos bem! Ahaha – Disse Dan sorrindo e lembrando-se da batalha na taverna meses atrás!
- Calma grandalhão! Não te esqueças que a melhor arma deles são os cães! – Argumentou Frodo com o semblante sério.
Capella ficou pensativo depois dessa afirmação. Ele realmente percebeu que Frodo estava preocupado, depois de tantos meses de convívio com o amigo, já tinha visto ele sair de situações extremas com grande facilidade sem ao menos esboçar uma ruga em sua enorme fronte. Nem mesmo quando os aldeões e taberneiros o ameaçavam de morte por encher de suspiros as cortesãs , ou mesmo quando se indispunha ao perceber que havia marcado oito compromissos com amigos diferentes em horários diferentes, nem mesmo nestes momentos de tensão, ele demonstrava qualquer tipo de dúvida.
A situação agora era diferente, a vida deles estava realmente ameaçada e não podiam sequer cogitar a hipótese de falhar.
De repente os pensamentos de Capella foram quebrados pela chegada de um jovem exasperado, era Regius um jovem primo de Frodo que tinha se juntado ao grupo para lutar e defender suas terras do ataque maligno de Badslov.
Regius aproximou-se do primo e se ajoelhou como costumava fazer em respeito a Frodo. Todos ficaram constrangidos com a cena, mas ficaram em silencio em respeito à devoção que aquele jovem sentia em relação ao seu grande herói.
- Levanta-te rapaz! Sabes que tu és um homem feito eu e a mim não deves ajoelhar-te!
O jovem então se ergueu com orgulho e fitando nos olhos de Frodo proferiu:
- Peço-te que permita que eu lute próximo a ti! Só assim poderei defender-te com minha vida em caso de perigo!
Todos começaram a rir, mas foi apenas por um momento. Frodo sorriu para o jovem e colocou a mão em seu ombro dizendo:
- Lutarás bravamente! Mas jura-me que te preocuparás apenas com vossa própria pele!
Dan aproximou-se então e com sua carranca tradicional fitou o jovem dizendo:
- Isso mesmo! Só eu posso proteger o Sr. Frodo! Esta ouvindo?
Ederus impressionado com aquilo tudo olhou para Motambo que também estava sorrindo, ele sabia que o amigo também daria a própria vida em troca da sua, talvez fosse esse o grande diferencial desses guerreiros! Todos se preocupavam uns com os outros e isto os motivaria a continuarem vivos para combater o mal daquela terra.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Eu defendo sua vida!"
"Não, Eu defendo!"

MMMMMMMM ... mas isso tá uma viadísse!
Tá muito parecido com a estranha relação de amizade entre os Hobbits....

Anônimo disse...

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